Convidado pelo “Equipo de Wines of Argentina” a escrever uma matéria sobre Torrontés, não vou certamente deixar os hermanos chateados, inclusive porque já queria falar desta casta singular, pois gosto bastante.
A Torrontés é uma uva branca espanhola (da região da Galizia), mas, um pouco como aconteceu para a Malbec francesa, ela se tornou distintiva da Argentina e quase inexistente no país de origem. Aliás, a Argentina parece ser hoje o único país do mundo a produzir vinhos com esta casta.
Cultivada de norte a sul, é provavelmente na região de Salta que ela se expressa aos máximos níveis, mais especificamente na área de Cafayate, onde clima e terroir fazem um trabalho perfeito para a maturação desta uva tão aromática.
Mas podem experimentar sem medo torrontés de qualquer outra região (Mendoza, Catamarca, Rio Negro, La Rioja , San Juan) e tenho certeza que vai agradar.
Aliás, aqui no calor do Brasil este é um vinho que deveríamos tomar mais (sobretudo no verão!) ao invés dos encorpados e amadeirados chardonnays chilenos, pois o característico frescor dado pela boa acidez e o corpo delicado são ideais para o nosso clima quente (inclusive dá para ser servido um pouco mais gelado que os outros brancos).
A Torrontés é uma das uvas mais aromáticas do planeta, lembrando Viogner ou Moscatel (da qual é parente), entregando geralmente muita fruta no nariz, como pêssego, limão (frutos cítricos em geral), e também ervas frescas e flores do campo.
Recentemente tomei em um restaurante o Torrontés da famosa linha Crios da Domínio del Plata, vinícola da Susana Balbo, uma das enólogas mais respeitadas da Argentina (e do mundo!). Procedente justamente do Valle de Cafayate, na província de Salta, mostrou todas as características citadas e algo mais, como umas especiarias e grapefruit (toranja). Acompanhou belamente um leve filezinho de peixe grelhado.
De qualquer forma recomendo com frutos do mar e aperitivos em geral.
Um vinho ideal para festas. Como um champagne, mas sem borbulhas.

































