segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

As novas tendências do vinho para o 2011

Os grandes Países produtores de vinho, é sabido, consomem basicamente o próprio produto nacional, então para entender as tendências mundiais é preciso olhar para os grandes importadores, como Inglaterra e Estados Unidos. Pois bem, navegando para sites e blogs anglo-saxões é possível deduzir que as novas tendências do mercado do vinho em 2011 seriam as seguintes:

1) O Chardonnay morreu, não tem mais bebedores desta casta branca.
2) O Pinot Noir está próximo ao colapso.
3) Consumidores perderam interesse em vinhos franceses e italianos.
4) Bordeaux também morreu: ele foi substituído, no gosto dos consumidores, pelo Châteauneuf-du-Pape.
5) Os vinhos sul-americanos estão na moda porque são bons e baratos.

Obviamente estamos falando de mercados maduros, porém modernos, onde os vinhos chilenos e argentinos são ainda uma interessante novidade.
Feitas as devidas proporções e conversões para o mercado ainda moçinho do Brasil, eu diria que aqui, no hemisfério oposto, as 5 tendências seriam basicamente opostas. Seguem as minhas pessoalíssimas interpretações e previsões:

1) “No mas” vinhos chilenos e argentinos: ninguém agüenta mais.
2) Maior consumo de vinhos espanhóis, que juntam modernidade e tradição.
3) O interesse para franceses e italianos continua, mas descobrindo regiões menos badaladas, como Loire e Alsácia para França e Campania, Puglia e Sicília para Itália.
4) Chardonnay continuará liderando os brancos, mas o gosto evolui para os mais elegantes e não mais para aqueles chardonnays cheios de madeira que parece de estar lambendo um tronco de uma arvore. Sauvignon Blanc da Nova Zelândia obrigatório para os enochatos enófilos exigentes.
5) A verdadeira novidade será a Califórnia, interessante opção para quem gosta de vinhos modernos, mas que tem como forte referência oVelho Mundo. Já chegaram novos rótulos a preços bem interessantes (e outros vão chegar): a Califórnia tem tudo para se tornar uma nova moda nos gostos dos brasileiros.

Como bônus poderia adicionar também um maior interesse para vinhos brasileiros. Mas somente se os preços baixarem.

E vocês, o que acham? Palpites?

 
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12 comentários:

  1. Oi Mario,
    Infelizmente para nós aqui no Brasil, os preços dos argentinos e chilenos ainda são mais acessiveis ao bolso do que os italianos que tanto gosto. Concordo com voce sobre os espanhóis, tenho tido boas surpresas e não gosto muito da uva Chardonnay. Agora vou passar a ver os da California com atenção, ja bebi americanos, mas, confesso que não prestei muita atenção neles.
    Abs

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  2. Rosane,
    Você que gosta de vinhos espanhóis vai certamente gostar dos californianos: a meu ver são de qualquer forma parecidos, pois a Espanha produz vinhos entre os mais modernos do Velho Mundo e os EUA produzem entre os mais tradicionais do Novo Mundo. Somente que até agora os preços que chegavam no Brasil eram bastantes altos, mas agora, como disse, estão chegando novos rótulos a preços mais interessantes.
    Dé uma olhada na seção Estados Unidos do blog, tem uns bons rótulos que avaliei, como os da Wente, da Crane Lake e da Ironstone. Já se quiser estrapolar este é simplesmente fantástico: http://mondovinho.blogspot.com/2010/11/o-crljenak-kastelansk-da-seghesio.html.
    Obrigado, um grande abraço!

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  3. Mario perigo comentar gosto de vinho. Vinho é prazer e ponto final. Claro que este horizonte pode ser aumentado com estudo, experiências e muita prova.

    Vamos lá: Os andinos ainda continuam a ser a porta de entrada para este mundo do vinho, principalmente pelo preço. Claro há também o gosto da Malbec ou de um Cabernet Chileno. Falo aí de vinhos na casa dos R$ 50,00. Inclusive penso que os métodos de vinificação dos andinos tem mudado, para mim para melhor, estão aos poucos largando o estilo tinto retinto ou branco com muita barrica. Temos já vinhos tintos elegantes na Argentina e Chile. Na Argentina um bom Malbec de Salta é imprescindível. OS brancos tem melhorado muito, inclusive estão mais minerais e ácidos, que nos diga os bons brancos de Casablanca (Chile).
    OS espanhóis para mim são um mistério. O vinhos que tenho provado, na casa dos R$ 50,00 já acertei tiro no pé e na lua. Nunca sei que estilo de vinho sairá daquela garrafa, o que não deixa de ser um charme. PRefiro, de longe os vizinhos ibéricos. Os portugueses são mais lineares, estáveis e sem muitas surpresas de vinificação. Gosto muito das pequenas vinícolas do Dão, quando acerto é a glória engarrafada.

    Quanto à Itália e França concordo plenamente, tanto é que postei meu blog que a França não vive só de Champagne, assim como não vive só de Bordeaux e alto Rhône. Para a Itália vale o mesmo. Agora um conselho, tanto um país quanto o outro nestas áreas novas e menos conhecidas precisamos de um bom importador que já filtrou os vinhos ruins.

    A questão do Chardonnay concordo que ainda é a rainha das brancas, principalmente pela sua capacidade de adaptação e produção. Quanto à madeira, não gosto dos muito barricados mas um carvalho vai bem. Inclusive será objeto de meu próximo posto CHARDONNAY COM OU SEM MADEIRA FAÇAM SUAS ESCOLHAS, veja o exemplo da Borgonha, na Côte de Beaunne temos um chardonnay que aceita madeira, mais ao norte em Chablis é um crime colocá-lo na barica, os dois são bons cada um ao seu estilo.

    O Sauvignon Blanc já ando meio enjoado, gosto e muito daqueles do Loire um Poully-Fumé não se esquece tão cedo. Gosto dos Sauvignon Blanc do Uruguai, são excelentes e menos lima-limão que os outros. PEnso que esta casta está perdendo espaço para a Pinot Grigio, principalemente no mercado americano. Acabei de postar no blog algo sobre esta casta.

    Quanto aos californianos os bons ainda têm muito over price, infelizmente, algo semelhante com o que acontece com a Austrália e Nova Zelândia

    Enfim um forte abraço do www.alemdovinho.wordpress.com

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  4. Peter,
    Muito obrigado pelo seu competentíssimo comentário.
    Concordo com você, sobretudo a respeito de Salta e Casablanca.
    Chardonnay até gosto com madeira, mas não muita.
    Os californianos estão deixando de ser over-price, tem umas boas opções na faixa dos R$50-60 e aqui no Rio encontrei uns interessantes abaixo dos R$30! A tendência é esta: mais rótulos USA a preços acessíveis.
    Grande abraço!

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  5. Mario,
    adorei este post e, até, os comentários, maiores do que o próprio post.rssss
    Achei muito sacadas suas opiniões e previsões, de fato, gosto dos Borgonha, encontrei uns brancos sul-africanos bons, e sua idéia do Chardonnay para o Brasil e dos argentinos e chilenos achei certíssima.
    Tudo de bom,
    do seu chará,
    Mario.
    P.S. Quando vier por Fortaleza, espero poder atendê-lo de alguma forma, inclusive tomando um bom bolso-esperto por aqui. E não é um convite proforma.Passarei um e-mail para você.

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  6. Mario,
    Fico feliz que concordou com a minha visão. E você é sempre gentil demais!
    Se eu for pra Fortaleza faço questão de levar um belo vinho para tomarmos juntos, mesmo até não sendo esperto para o bolso.
    Muito obrigado, meu amigo!
    Abraço e saúde!

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  7. Ciao Mario,
    Com relação ao preço dos vinhos brasileiros, se é verdade que ele estão mais caros em comparação aos demais, precisamos considerar que a carga tributária incide entorno de 40% sobre a produção, para você ter uma idéia nos demais países do Cone Sul esse número não passa de 25%.
    Isso é facilmente explicado quando consideramos o impacto do negócio vinho no PIB da Argentina, por exemplo, ou do Chile, não dá para comparar com o exíguo peso que a produção vinícola do Brasil representa diante de suas principais fonte de receita do agro-negócio, como a carne ou a soja, só para citar alguns.
    Então não tem tanta preocupação por parte do governo brasileiro em priorizar um setor que não é vital para a economia.
    Por outro lado, se a gente pesquisa o preço dos vinhos nas lojas do Rio Grande do Sul, veremos que os mesmos vinhos são bem mais baratos lá do que em outras regiões como Rio, São Paulo ou Fortaleza, onde moro, isso acontece porque o Estado do RS adota, para o recolhimento do ICMS de circulação interna, a mesma alíquota utilizada com os alimentos, como é comum aliás, em todos os países produtores, onde o vinho é considerado complemento alimentar; apenas nos resta lamentar que essa prática não seja estendida para o Brasil como um todo.
    Ah, já ia esquecendo, os vinhos importados dos países do Cone Sul, ao serem nacionalizados, não pagam imposto de importação, já os demais, como os europeus, por exemplo, pagam 27% sobre o preço CIF (custo + frete).
    Non é facile caro mio.
    Abraços
    Marco

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  8. Caro Marco,
    Que prazer ter um “mio connazionale” como leitor! Seja bem-vindo neste humilde espaço enófilo.
    Tudo que você falou é verdade e agradeço pela sua lúcida analise.
    Eu não discuto a causa, e sim o efeito. O efeito é que comparando vinhos da mesma qualidade o importado é mais barato do que o brasileiro.
    Ademais, além da questão dos impostos temos que admitir que os produtores não querem baixar as margens de lucro. Como você explica que os mesmos vinhos nacionais vendidos por aqui a R$ 40-50 estão custando lá fora menos de U$5,00? Só imposto não explica isso. Obviamente eles sabem que no exterior têm que competir com ótimos rótulos que custam 1-2 dólares, já aqui aproveitam dos altos custos de importação e pediram a introdução do selo fiscal para os estrangeiros ficarem mais caros...
    Muito obrigado pela visita e pelo comentário.
    Un grande abbraccio!

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  9. Ciao Mario,

    Tem razão, mas olha que o selo fiscal vale também para os vinhos brasileiros, com isso não estou querendo defender a medida, concordo quanto ao preço, mas garanto a você que o lugar mais barato para você tomar o Montes Alpha Cabernet Sauvignon, da Viña Montes de Colchagua é...Nova York,
    que podemos fazer,
    ci fanno morire,

    Abraços,
    Marco Ferrari

    P.S. se tem um tempo dá uma espiada no meu blog vinhofortaleza, talvez vai gostar

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  10. Pois é caro Marco,

    Mesmo com a facilidade do transporte e dos acordos comerciasi privilegiados do Mercosul, vinho chileno e argentinho tà mais barato na Itália que no Brasil. Já nos Estados Unidos vi o Sassicaia mais barato que na Itália e em Bogotá os vinhos da Concha Y Toro estão mais baratos que na própria vinícola em Santiago!
    Roba da matti...
    Visitei o seu blog, que, por sinal, é muito bom: já estou seguindo.
    Un abbraccione!

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  11. Oi, Mário, concordo com vc em diversos aspectos... Talvez, para consumidores mais frequentes, sim, seja a hora do "no mas" argentinos e chilenhos... De qualquer forma, nosso mercado é muito novo, agora, assim, começamos a ver maior procura por esta bebida em almoços e jantares... inclusive, em bares, que antes só tinham cartas de cervejas, pingas... So, acho que em nosso mercado ainda veremos muitas, mas muitas das botellas de vino de nossos vizinhos! A relação comportamental é a que muda muito os cenários e, sim, acredito que o comportamento brasileiro em relação ao vinho, está num momento de conscientização, curiosidade e formação! Um beijo e inté mais!

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  12. Caro/a Anônimo, obviamente me refiro a quem já consome vinho com freqüência. Já para os “iniciantes” é inevitável começar a partir de Chile & Argentina. Quanto ao resto concordo plenamente com vc.
    Muito obrigado por visitar e comentar.
    Abraço!

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