quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ascensão e declínio do Robert Parker (parte 1)

“Parker funciona somente se tiver mais que 45 anos. Se for mais jovem, o que conta são as mídias eletrônicas”. Palavras do Roger Gentile, um dos maiores expert e wine merchant dos Estados Unidos.

Pois é, meus amigos, até pouco antes para um rótulo que superasse os 89 pontos nas avaliações do nosso Advogado do Vinho significava o começo da própria fortuna comercial no mundo inteiro. Mas nos tempos de hoje, nos quais a crise econômica mundial reduziu o tamanho dos sonhos de muitos, o império do gosto Parkeriano começa a mostrar rachaduras evidentes. E as novas mídias são certamente partícipes deste processo.

Mas vamos relembrar um pouco a história e a trajetória do Parker.

Robert M. Parker não é um produtor de vinho, nem um enólogo, tampouco um jornalista. É um advogado que em 1984 deixou a profissão para se dedicar à sua paixão: escrever sobre vinho. Ele tinha começado uns anos atrás com um pequeno boletim chamado The Baltimore-Washington Wine Advocate (Baltimore é a sua cidade natal) que enviou gratuitamente para os maiores comerciantes de vinho. O intuito era escrever livre de interesses, pois naquele tempo quem escrevia sobre vinho eram freqüentemente as mesmas pessoas que o vendiam.

A segunda edição já foi a pagamento e ganhou de cara 600 assinantes. Em 1979 o boletim foi re-batizado simplesmente como The Wine Advocate, nome que mantém ainda hoje e que depois de mais de 3 décadas pode se orgulhar dos mais de 50mil assinantes no mundo todo.

Mas em que se baseou, até agora, o sucesso deste crítico?

Basicamente em três principais inovações:

1) uma abordagem ao produto focada no consumo
2) uma avaliação dos vinhos em centésimos
3) uma crítica, às vezes até muito pesada aos inatacáveis grandes vinhos franceses.

O grande mérito do Parker é de ter sido o primeiro a escrever sobre vinhos da Califórnia, do Chile, dos espanhóis e italianos, quando até então a imprensa anglo-saxônica se preocupava somente de Bordeaux. E também foi o primeiro a fazê-lo de um ponto de vista do consumidor. Mas, aqui eu o critico, com a presunção de educá-lo a beber de acordo com o critério dele.

Auto-proclamado "observador independente para a defesa do consumidor", o Robert Parker levou a fama também pequenos vinhateiros desconhecidos, os famosos vin de garage que fizeram a fortuna da sua revista.

Ainda hoje ele se declara totalmente independente, afirmando que nunca pegou sequer 1 dólar de produtor nenhum para escrever uma crítica positiva e que nunca aceita de presente vinhos para serem avaliados: os compra pessoalmente com o próprio bolso para não ter influências.

Uhm...será mesmo? Bom, não tendo motivo para duvidar e sobretudo não tendo como provar o contrário, temos que fazer de conta de acreditar.

Mas a dúvida permanece...

[Continua no próximo post.]

4 comentários:

  1. Mario, parabéns pelo post, ótima leitura. Estou aguardando o próximo.....

    Abs e saúde
    Silvestre
    www.vivendoavida.net

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  2. Obrigado Silvestre,
    Eu escrevi de jato este artigo, que se revelou muito comprido, então o cortei em dois partes, para maior beneficio dos leitores.
    Amanhã tem mais, mas fica tranqüilo: não vou ser muito mau com o seu amigo, mais ainda que agora vocês ficam trocando emails...! Rssrssr ;-)
    Grande abraço!

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  3. Grande Mario.

    Disse e repito não me importo com o que fala, diz, prova ou aprova este senhor. Penso que suas opiniões, dado o marketing que o rodeia, são arrasa quarteirão, no mal sentido. Vinhos que gosto e pagava preço justo depois que o Bobby Parker pontuou bem subiram de preço assustadoramente.

    Mas não sou contra o trabalho de ninguém, há espaço para todos os gostos e estilos. Não gosto, porém, quando há imposição de estilo, no caso os brancos pesados e os tintos retintos.

    A ditadura de estilo é contrária ao grande charme do mundo do vinho, a diversidade.

    Felizmente o império de Parker e seus seguidores está rachado, vemos vinhos andinos antes ao melhor estilo tinto retinto hoje já são feitos ao estilo velho mundo.

    Para mim ele serve somente para, através de sua pontuação, me informar como é, por exemplo, um vinho búlgaro que nunca ouvi falar.

    Mario, não se bebe vinho pela boca dos outros, somente pela nossa e depois de muita experiência/erro.

    Um abbraccio Peter

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  4. Peter,
    Como sempre você acertou o núcleo da questão, e não tenho como discordar. Ele teve seus méritos, mas, como você justamente disse, não se bebe vinho pela boca dos outros, ainda menos se for uma única pessoa.
    Não perca a continuação desta matéria amanhã.
    Abraços!

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