terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vertical ou diagonal? Descubra os tipos de degustação possíveis

Muitos de vocês devem ter participado de algum tipo de degustação. É uma atividade interessante e divertida: vai conhecer vinhos, histórias e pessoas. E vai voltar pra casa mais feliz.

Muitas degustações organizadas por aí são simplesmente de apresentação de novidades no mercado, ou de promoção de um produtor, sem nenhuma lógica particular nem características didáticas. Mesmo estas degustações sem método trazem uma experiência útil, mas para afinar as capacidades sensoriais e se tornar mais competentes, é mais eficaz seguir um método comparativo.

A comparação é extremamente útil e didática, pois permite o estudo das semelhanças e diferenças entre dois ou mais vinhos. O objetivo claramente não é determinar qual das amostras é a melhor: a finalidade é apenas realçar as qualidades e as características de cada vinho.

Na teoria é possível organizar degustações comparativas com qualquer tipo de vinho, mas obviamente não faz muito sentido – em termos didáticos – comparar vinhos de tipologias totalmente diferentes como um tinto, um branco e um espumante: os vinho tem que ter pelo menos uma característica comum. Mas vamos ver em detalhe os tipos de degustações mais usuais.

Degustação vertical
É provavelmente a mais famosa e certamente a mais fascinante. É o estudo e comparação do mesmo vinho (mesmo produtor e rótulo), mas de diferentes safras. Portanto, se avalia o potencial de evolução de um vinho específico e também é interessante avaliar as safras individuais.
Uma degustação vertical é eficaz quando tiver pelo menos 3 amostras (mas uma boa vertical tem que ter no mínimo 5). A escolha das safras pode seguir qualquer critério: safras consecutivas, ou safras de décadas diferentes, por exemplo. Mas lembre-se que não faz muito sentido comparar dois vinhos cuja idade varia de muitos anos porque as qualidades serão evidentemente diferentes.

Degustação horizontal
É o estudo e comparação de vinhos da mesma safra, da mesma tipologia, mas de diferentes produtores. Os vinhos devem pertencer à mesma região, área ou denominação. Por exemplo, “Chianti Clássico 2004”, “Bordeaux Superieur 2006” e por aí vai. Mas não faz sentido comparar, digamos, Valpolicella com Amarone, mesmo sendo da mesma região. O objetivo pode ser escolher o melhor produtor ou simplesmente avaliar as qualidades de cada vinícola, o estilo e a interpretação da casta de uva e do terroir.

Degustação Diagonal
Entre todas as degustações é a menos difundida. Trata-se de uma avaliação de vinhos da mesma tipologia e zona, mas de safras e produtores diferentes: praticamente em comum somente área geográfica ou denominação. Por isso é pouco utilizada, pois não oferece bases concretas de comparação.

Degustação Varietal
Este tipo de degustação se divide em 2 tipos: o primeiro feito com vinhos mono-varietais (compostos 100% de uma única uva) mas procedentes de áreas diferentes e permite estudar as diferenças de uma mesma casta de uva em relação ao terroir (por exemplo “Cabernets do Novo Mundo”)
Já o segundo tipo é feito com vinhos mono-varietais, mas de uvas diferentes (por exemplo Chardonnay, Riesling e Sauvignon Blanc): isso permite ressaltar, por efeito do contraste, as qualidades de cada casta.

Degustação Territorial
Esta é muito interessante. O propósito é descobrir como um terroir influencia os próprios vinhos. É feita com vinhos da mesma região ou denominação entre um território não muito grande (por exemplo, os crus de Chablis). O mesmo vinho pode ter várias diferenças mesmo se produzido a poucos quilômetros de distância e é interessante descobrir como as influências geológicas e do micro-clima se traduz na garrafa.

Degustação às cegas
Menção à parte para este tipo de prova, que pode ser feita com qualquer um das degustações acima, mas sem que os degustadores conheçam os rótulos degustados.
As garrafas são cobertas geralmente com papel alumínio e a finalidade é avaliar o vinho melhor de forma imparcial, sem ser influenciados pelo nome do rótulo ou pela fama de um produtor. O limite é que os degustadores, para não pagar mico (de dar notas baixas a grandes vinhos e vice-versa) acabam não excedendo nem pra o alto nem para o baixo, nivelando a degustação em notas médias.

Estas são as principais degustações possíveis para uso didático. Já para diversão e socialização vale tudo, afinal, como disse, todo o tipo de degustação traz uma experiência positiva.

Então mãos às taças e fique à vontade de organizar degustações com seus amigos e parentes, todo mundo vai sair mais experiente.

4 comentários:

  1. Olá Mário, muito boa sua postagem, para mim foi uma aula...adorei.

    Abraços.

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  2. Muito obrigado Leonor, o que eu sei coloco aqui a disposição dos leitores, e seus elogios de pessoa competente são sempre lisonjeiros.
    Abs!

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  3. Ciao!
    Descobri seu blog só agora e confesso, sem alguma bajulação, que eu o acho um dos melhores da web. Estou navegando por seus posts antigos e aprendendo muito. Quando leio blogs como o seu, percebo cada vez mais que minha implicância com o the R.Parker way of thinking tem certo fundamento.....Identifico-me bastante com sua linha de racioncínio (será que é porque sou filho de um perugino vero?). Enfim, parabéns pelo blog e obrigado pelas dicas! Arrivederla!

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    Respostas
    1. Ricardo,
      Eu que agradeço você por acompanhar o blog e pelas suas gentis palavras.
      Quanto ao seu gosto “não parkerizado” é bem possível que as suas preferências sejam ditadas pelo dna da Úmbria que carrega no seu sangue... :-)
      Grazie mille e un caro saluto!

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