terça-feira, 18 de outubro de 2011

A hora da verdade: bati o vinho no liquidificador e...

Como prometido me fiz de cobaia pelo "bem da ciencia" (ehehe) e dos meus leitores, para verificar a eficácia da decantação de vinho batido no liquidificador (quem perdeu o capitulo anterior, please clique aqui).

Obviamente não tive coragem de provar um vinho particularmente bom ou caro, mas pra fazer um pouco mais bonito quis envolver nessa o meu País também e  escolhi um DOCG (denominação de origem controlada e garantida), pela precisão um Morellino di Scansano, Le Mandorlae Baroncini 2010.
Vinho toscano, o Morellino mostra a outra face da casta Sangiovese (que na denominação pode levar também 15% de outras uvas locais como Ciliegiolo e Canaiolo, entre outras), é geralmente é um vinho “sério”, um pouco austero, bastante seco e com taninos um tanto rústicos. Este exemplar jovem, da safra 2010, me pareceu perfeito para a experiência.

Então vamos ao teste (fotos no final do post).
Servi e provei uma taça logo depois de aberto e derramei metade da garrafa no liquidificador. Bati por cerca de 30 segundos em velocidade máxima. Uma vez terminado, o liquido tinha mais cara de shake, pela grande quantidade de espuma, que por sinal, desapareceu em poucos segundos. Servi uma segunda taça e analisei o resultado.
Primeiramente, como esperava, a cor ficou inalterada. Mas a coisa mais interessante é que o vinho realmente melhorou! Com um porém. Os aromas ficaram definitivamente mais abertos e agradável e o paladar mais redondo e macio. Isto no começo. Mas ao longo do consumo (acompanhando o jantar), não sei se e como isto é possível, o álcool andou se manifestando mais. Não chegou a estragar o vinho, nem a incomodar, mas a diferença com o primeiro gole ficou notável e mais ainda acentuada se comparado com a taça de vinho não batido, que, mesmo menos exuberante e perfumado, continuava equilibrado.
Pelo que posso deduzir, mas peço a ajuda de vocês, pequenos winemakers, consequentemente à super-decantação o vinho melhorou muito rapidamente, mas pelo mesmo principio deve ter rapidamente decaído.

Enfim, na base da minha experiência daria um empate técnico. Talvez com outros vinhos e/ou tempos de batimento diferente os resultados poderiam ser diferentes (pra melhor ou pra pior).
E ai quem vai ser o próximo a provar? Aguardo seus reports e serei feliz de compartilhar a experiência de vocês com os outros, publicando no blog os novos relatórios.


14 comentários:

  1. kkkkkkk... Vc é genial, mesmo! Adorei o post... Tinha comentado no outro que jamais teria coragem de fazer isso, mas lendo isto agora, preciso confessar que fiquei instigada a fazer o teste! Falta-me um pouco de coragem, é verdade... Mas acho que vou amadurecer a ideia e tentar!
    Beijossss

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  2. Mário, pode ser preconceito, como você diz - mas o fato é que o processo me choca um pouco ... Uma coisa é expandir a superfície do vinho em contato com o oxigênio, outra bem diferente é submeter o coitadinho a esse sacolejo violento do liquidificador ... Não sei, não, mas acho que vou guardar meu liquidificador para os milk-shakes, e botar minhas garrafinhas de vinho no velho e bom decanter, mesmo ...

    Abraços !

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  3. Hahaha... é cada uma...

    Um dia tentarei, tenho que tomar coragem...

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  4. Amigos, deixem de frescuras! Isso é nada comparado com que as próprias vinícolas fazem com o que achamos ser vinho...esperem o próximo post...

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  5. Mario,

    Sua escolha foi ótima! Pareceu um vinho ideal para testar. Interessante que o alcóol se manifestou mais depois.

    Parece que isso é um 'shortcut' para fazer vinhos jovens em estado parecido mais envelhecidos com mais suaves taninos. Será que hiperventilar tirar algo nos taninos que contrabalança o álcool?


    Abraços
    Ulf

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  6. Mário,
    só pra variar, este post tá demais.
    Se você me permitir o plágio, pretendo fazer a mesma experiência e postar no meu blog.
    Abs

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  7. Ulf,
    A sua interpretação faz muito sentido, só você mesmo poderia ter achado uma explicação plausível! Muito obrigado por acrescentar sempre com o seu conhecimento e inteligência.
    Grande abraço!

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  8. Leigo Vinho,
    Não somente permito, mas incentivo a sua experiência! Estamos aqui para trocarmos opiniões e aprender mais um do outro, ninguém é professor e ninguém aluno. Todos interligados pela mesma paixão enófila.
    Grande abraço e aguardo o seu resultado!

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  9. Caro Mário, muito legal o seu post...vou ver o que da aqui em casa e depois te falo!!!

    Abs e saúde

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  10. Meu amigo Silvestre,
    A opinião de um "mestre" como você é mais que bem vinda!
    Fico no aguardo.
    Grande abraço!

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  11. Mario, entrei pela primeira vez no seu blog, não sou assíduo em blogs, embora creia com convicção que me seria enriquecedor!! Mas esta experiência me chamou a atenção de modo incontrolável!! Parabéns pela iniciativa, por este "espírito livre" que é o que move mais rápido as engrenagens de quaisquer níveis de conhecimento humano!! Abraço, André Logaldi

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  12. André,
    Muito obrigado! Fico feliz que gostou desta experiência, que inclusive reflete exatamente o espirito do blog, com uma abordagem descontraída, divertida e sem preconceitos. Tendo sido criado tomando vinho desde pequeno, não entendo a austeridade e frescura que envolve este mundo. Temos que ter respeito sim, mas sem ter medo de tratar o vinho para aquilo que é, o seja, uma bebida.
    Obrigado pela leitura e pelo seu comentário.
    Grande abraço!

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  13. Mário,
    fiz a experiência e postei.
    Dê uma olhada:
    http://leigovinho.blogspot.com/2011/11/decantando-com-o-liquidificador.html

    Abs

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  14. Meu paladar não é muito apurado, contudo, fiz o teste com duas taças de um vinho francês recém adquirido na minha última viagem. Segui a orientação dos especialistas e utilizei um vinho de 2007.

    Bom, tanto eu quanto minha mãe reconhecemos uma diferença significativa no sabor. A primeira é quase a eliminação daquele gosto de madeira seca (ou algo parecido com isso), o que abriu especa para o gosto da uva. A segunda é uma redução do gosto do álcool, fato incrivelmente percebível pelo cheiro e pelo paladar. Para mim, o resultado foi ótimo, principalmente porque reduziu um pouco o gosto do álcool, algo que para mim deve ser bastante moderado em uma bebida.

    De um modo geral, achei o resultado equilibrado e bem satisfatório.

    Continuarei fazendo testes, talvez agora no método tradicional, para fazer comparações.

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