quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cabernets do Novo Mundo

Recentemente fui convidado a uma degustação da importadora Vinhos do Mundo, que tinha como tema a uva Cabernet Sauvignon no Novo Mundo.

A rainha das uvas foi apresentada através de 5 rótulos com propostas diferentes de 5 diferentes vinícolas e a degustação foi conduzida pela gerente da importadora Ana Lúcia com a participação especial do competente e simpático Lauro P. Carvalho.

O primeiro vinho degustado foi o El Ciprés da Bodegas Luis Segundo Correas (Argentina): um vinho jovem, sem madeira, e sem muita estrutura, mas equilibrado e macio com boa fruta: com certeza interessante e custando R$ 24,00 poderia figurar muito bem nas páginas da coluna Bolso Esperto.



O segundo vinho foi o que mais encontrou a favor do público presente, mas que em minha pessoal classificação figuraria ao último lugar dos 5: Malma Reserva 2007 da Bodega NQN (Argentina, R$ 43,00). Não que não seja um bom vinho: uma parcela dele estagia em carvalho e é certamente mais complexo que o primeiro, mas apesar do terroir diferente (da Patagônia) é um vinho como muitos outros que se encontram por aqui.

Já o australiano Tyrrell’s Moore Creek (R$ 47,00) me deixou mais satisfeito. A Tyrrell’s não é, como justamente o amigo Cláudio brincou, uma ex-equipe de Fórmula 1, mas uma vinícola familiar bastante tradicional que produz vinhos de bom custo/benefício. Este vinho é já mais encorpado, bastante fruta silvestre madura e taninos redondos. Mas se for ficar com este produtor o meu conselho é o Shiraz Old Winery (uma linha superior, mas que vale a pena. Falarei dele em breve).




Seguiu um vinho dos EUA, o californiano Wente Southern Hills  (R$ 64,00), muito muito interessante. Da região da Baía de São Francisco (sul de Napa Valley) o blend insólito além de 85% de Cabernet, leva também Petit Verdot, Merlot e Barbera (!). Gostei muito. Eu já tinha degustado o Zinfandel da mesma linha, que também gostei, mas achei a madeira sobressaindo. Já este CS é muito mais equilibrado, com uma textura sedosa e boa complexidade. 
Encerramos com o Casa Silva Gran Reserva Los Lingues (no final com a nossa pequena turma dos “mau-caráter”, tomamos por nossa conta também o Petit Verdot da mesma linha, muito bom por sinal, mas não tem nada a ver com esta degustação...). De todos os vinhos degustados este foi o que tinha mais cara de velho mundo, com notas vegetais no aroma, e terrosidade/mineralidade no paladar. R$ 80,00.



Talvez o Casa Silva tenha sido o melhor da noite, mas pela famosa questão do preço/qualidade eu fico com o Southern Hill, que não fica devendo nada e é um ótimo modo para cancelar o preconceito que o brasileiro médio tem a respeito de vinhos americanos. Tem bons exemplares a preço razoável sim.

Um comentário:

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