terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O que quer dizer “Supertoscano”? Descubra a história deste mito

Frequentemente falamos por aqui em “Supertoscanos”. Mas que raio de vinhos são estes? Qual é a origem deste termo e o que na verdade quer dizer? Neste post vamos descobrir a interessante história deste estilo de vinhos que mudou o panorama da vitivinicultura italiana lançando-a no Olympio dos grandes produtores de vinho internacionais.

Uma definição bem simples do termo Supertuscan poderia ser: “Os vinhos tintos da região italiana de Toscana, produzidos com uvas, ou cortes de uvas, não autóctones ou típicas” (Fonte: mondovinhopédia)

Já numa interpretação mais extensa, tende-se a considerar supertoscanos também todos os vinhos da região, que por qualquer motivo (aréa geográfica, rendimento, métodos de vinificação e/ou maturação, etc...) não se encaixam nas regras estabelecidas das denominações de origem clássicas. 

A história começou com a coragem de uns produtores da região que, desafiando legislação local e desconfiança dos consumidores, conseguiram criar um marco do vinho italiano e um estilo hoje cultuado no mundo inteiro.

Ao redor de 1940 o marques Mario Incisa della Rocchetta, criador de cavalos de raça, e grande apaixonado por vinhos franceses, decidiu realizar o sonho de criar um vinho também de raça. Depois de ter notado semelhanças geográficas e climáticas da área de Livorno (Toscana) com a de Graves (Bordeaux), importou do Chateau Lafite (do amigo Elie Rothschild), uns clones de cabernet sauvignon e cabenet franc; os plantou na Tenuta San Guido e depois de um cultivo de grande cuidado, em 1942 ficaram prontas as primeiras garrafas de Sassicaia. No começo o vinho foi produzido somente para uso familiar, já a primeira safra a ser comercializada foi de 1968.


Inspirado por este exemplo, o marquês Piero Antinori (primo do Mario Incisa della Rocchetta, diga-se de passagem), cuja família produzia vinho há mais de 600 anos, decidiu ousar ainda mais, mudando o processo de vinificação de seus Chianti, adicionando à Sangiovese (típica uva local e mais emblemática uva italiana) um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot. Nascia assim o Tignanello, que pode ser considerado o primeiro verdadeiro Supertoscano, pois o Sassicaia tinha no corte somente uvas francesas.


A consagração definitiva do gênero aconteceu depois que o Robert Parker, em uma degustação à cega, deu 100 pontos para o Sassicaia 1985, achando que fosse um Mouton-Rotschild 1986.

Daí vários produtores começaram a imitar este estilo, também trazendo nos cortes outras castas como Syrah e Petit Verdot. Todos grandes vinhos, mas como usavam uvas não permitidas pelo sistema de denominação da região, não puderam ser classificados como D.O.C .(Denominaçãode Origem Controlada) e receberam a indicação de “Vino da Tavola” (vinho de mesa), a mais baixa denominação na pirâmide de classificação italiana. 

Então os críticos americanos, empolgados com estes vinhos, começaram a chamá-los de Supetuscan (provavelmente o primeiro a usar o termo foi o James Suckling, fundador da revista Wine Spectator), para diferenciá-los dos outros tintos de baixa qualidade que levavam no rótulo a mesma denominação de “vinho da tavola”. 

As coisas melhoraram um pouco com a introdução de denominação IGT (Indicação Geográfica Típica) que abraçou todos eles. Em alguns casos ganharam até a própria DOC, como o Sassicaia,  e outros entraram na denominação de origem de Bolgheri Superiore. Mas o problema ainda existe, e estão sendo avaliadas propostas de criar uma nova única denominação que abranja todos os Supertoscanos.

De fato hoje temos basicamente 3 categorias destes vinhos: supertoscanos feitos de Sangioveses e outras uvas autóctones (mas fora das normas previstas pelas DOC e DOCG), supertoscanos feitos com blend de uvas locais e uvas internacionais e supertoscanos feitos apenas com uvas internacionais. 

9 comentários:

  1. Caro Mario boa noite. Como citou no texto uma forma simplista de dizer o que é supertoscano seria: “Os vinhos tintos da região italiana de Toscana, produzidos com uvas, ou cortes de uvas, não autóctones ou típicas”(Fonte: mondovinhopédia). Porém vai além disso pois há supertoscanos feitos apenas de Sangiovese que é uma uva típica e autóctone da Itália. O termo também se aplica a produtores que se recusam a seguir determinda denominação para ficar livre para produzir o vinho como quiser. Ex: ele é toscano de chianti mas não que seguir às leis da denominação. Um ano ele pode fazer um Supertoscano só de sangiovese e no outro um só de cab sauvignon

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  2. Caro Eugênio,
    Você tem toda razão. Eu tentei simplificar o conceito, sobretudo do ponto de vista histórico, quando foi inventado o termo exclusivamente para cortes com uvas francesas, mas é evidente que sucessivamente também outros vinhos da região aproveitaram da atratividade da definição e, como você justamente citou, um grande sangiovese que não respeite os parâmetros de Chianti, hoje pode ser considerado um supertoscano também, por exemplo.
    Muito obrigado pela sua elucidação, fico orgulhoso de ter leitores tão competentes!
    Abraço!

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  3. E ESSES NOMES, SOLAIA? ORNELLAIA? GUADO AO TASSO, MASSETTO, O QUE SIGNIFICAM?
    SÃO NOMES DADOS POR PRODUTORES OU SÃO ESTILOS DE SUPERTOSCANOS?
    VC PODE BRINDAR A GALERA IGNARA AQUI COM A RELAÇÃO DE TODOS OS SUPERTOSCANOS E SEUS RESPECTIVOS PRODUTORES?
    A CONFUSÃO VEM DE INFORMAÇÕES CONFLITANTES, COMO: ORNELLAIA - PRODUTOR: TENUTA DI ORNELLAIA. MAS QUE PRODUZ? O FRESCOBALDI OU ANTINORI OU O ROCHETTA, PODEM FAZER UM ORNELLAIA OU ELE É UM NOME PRÓPRIO E EXCLUXIVO? NA MESMA LINHA,PERGUNTARIA SE O BIONDI SANDI, QUERENDO, FARIA UM SASSICAIA OU UM SOLAIA?
    PARABÉNS PELO SITE, OBRIGADO E ABRAÇOS.
    EMANNUEL BENJUR (pode colocar meu nome)

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    1. Emannuel,
      Primeiramente obrigado pela visita e pelas palavras de elogio.

      Ornellaia, Guado al Tasso, Masseto, etc são nomes dado por produtores e são nomes exclusivos que não podem ser reproduzidos. “Supertoscano” é o estilo (e não uma denominação) no qual todos eles podem ser agrupados.
      Tem algumas vinícolas que fizeram do estilo supertoscano e própria marca e especialização, mas a maioria das vinícolas da Toscana produz seu próprio supertoscano (com nome exclusivo).
      A Tenuta dell’Ornellaia (que agora pertence ao grupo
      Frescobaldi) produz o Le Volte, Le Serre Nuove, Ornellaia e Masseto. Todos supertoscanos.
      A lista seria praticamente infinita, mas para citar os produtores tops:
      Tenuta San Guido, Antinori, Frescobaldi, Le Macchiole, Tua Rita, Brancaia, La Massa, Tenuta Sette Ponti, Castello del Terriccio, Castello di Ama, Fontodi, Isole e Olena, Argiano.

      Espero ter ajudado.
      Um grande abraço!

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  4. Achei bem interessante essa matéria. Podemos dizer que todo supertoscano é um vinho de guarda? Se sim, quantos anos ele pode resistir? Poderia me indicar um que tivesse um bom preço de compra?

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    1. Obrigado, Rafael, fico feliz que gostou.
      Boa pergunta a sua. Quando nasceu a menção de Supertuscan, de fato os vinhos do gênero eram todos grandes vinhos, portanto de longa guarda. Já hoje a referencia foi estendida até para os mais baratos e de pronto consumo. Isto porque todos os produtores quiseram aproveitar a onda econômica (comercialmente falando), portanto hoje chamam de supertoscano qualquer vinho da região que por algum motivo não se encaixa nas regras previstas pela legislação.
      Obrigado pela leitura e pelo seu comentário

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  5. Ou seja...supertoscano é um vinho que quer copiar alguém. Sem personalidade própria.

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  6. Ou seja é um vinho cópia, sem personalidade. Podendo gostar ou nao da cópia. É só dar nota e dar preço.

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    1. Gustavo, a sua interpretação é legitima e até faz sentido, mas eu não vejo desta forma. Mais que cópia eu falaria de inspiração. Senão deveríamos dizer então que qualquer vinho no mundo feito a partir de uvas francesas como Cabernet, Merlot, etc seja um cópia. Pelo contrário eu acho que os supertoscanos têm personalidade sim, pois mesmo inspirados pelos vinhos de Bordeaux, conseguem manter o caráter italiano de forma bem nítida. Mas é apenas o meu ponto de vista.
      Obrigado pela leitura e pelo seu comentário!

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