quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um vinho superstar (desta vez merecidamente)


Quem me conhece ou acompanha estas páginas sabe que não sou adorador dos vinhos do Novo Mundo: como todo bom italiano, prefiro um estilo mais tradicional, elegância no lugar da potência, acidez e taninos no lugar de fruit bomb e madeira.
Isso não quer dizer que não bebo vinhos modernos (ou modernistas?), cansei de publicar por aqui comentários positivos sobre rótulos do Novo Mundo que merecem ser provado, e este aqui é mais um que me surpreendeu.

Paul Hobbs dispensa qualquer apresentação, talvez seja o winemaker americano mais cultuado dos últimos 10 anos. Dono de vários projetos, entre eles a argentina Vina Cobos mais outros em Chile e Hungria, é na California que se expressa ao seu máximo nível.
Este Pinot Noir Russian River 2008 me conquistou: mesmo sendo um vinho opulento, tem elegância de sobra e, embora de estilo diferente, acredito que brigaria com muitos pinot noirs da Borgonha. 

Os aromas não são daqueles que pulam fora da taça, as notas delicadas de framboesa, morango e mirtilo deixam logo o lugar para couro e trufa. Na boca é sedoso, e, apesar do corpo médio/leve, tem bom volume. Acidez e taninos doces se balançam e a madeira é apenas perceptível (11 meses em carvalho americano 50% novo).

Enfim, um vinho espetacular. Se tivesse que achar um defeito, apontaria para o excesso de álcool (14,7%), que no começo sobressaiu um pouco. De qualquer forma não chegou a incomodar e ainda melhorou com a areação.

Voto gringo: 9

P.S. Ah, quase esqueço: foi o 6° melhor colocado na lista dos melhores 100 vinhos do mundo da Wine Spectator em 2010 (com 94 pontos), mas é um detalhe que normalmente pra mim não diz muita coisa. Neste caso assino embaixo.

Vinho: Pinot Noir Rússian River
Safra: 2008
Produtor: Paul Hobbs
País: EUA
Região: Califórnia
Uvas: 100% Pinot Noir
Teor Alcoólico: 14,7%
Importadora: Mistral
Custo médio: R$ 255,00
Notas: WS94; RP90

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