terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os Oscars do vinho!


O cinema mudo ganhou: a maioria dos filmes não tem mais nada a dizer (como já disse na minha página do Facebook). Com os Oscars na cabeça, decidi premiar com a estatueta (imaginária) os melhores vinhos cinematográficos, ou seja os melhores vinhos nas melhores cenas de filme.

MELHOR VINHO PROTAGONISTA
Cheval Blanc 1961 - Sideways Entre umas e outras
Sideways é um filme que gerou polêmicas no mundo do vinho e foi capaz de influenciar (talvez ainda até hoje) o consumo do mercado americano. Na mais memorável das cenas o Miles, demasiadamente adepto a pinot noir e declaradamente anti-merlot, acaba bebendo o seu precioso Cheval Blanc ’61 em um fast-food em um copão descartável. Detalhe significante: o Cheval Blanc contem cerca de 40% de merlot em seu corte.

MELHOR VINHO COADJUVANTE
Clos St.Hune Trimbach – Hannibal
No "Silêncio dos Inocentes”, Hanibal Lecter declarava ter comido fígado humano harmonizado com um Chianti. Péssima combinação: com entranhas e miúdos melhor um branco mineral.
O Clos St.Hune Trimbach que aparece na continuação de 2001 é certamente uma melhor escolha. Um dos maiores vinhos da Alsácia, raro e caríssimo. Mas não sei se ser o vinho predileto por Hannibal Lecter é uma boa propaganda...

MELHOR FOTOGRAFIA DE VINHO
Chateau La Canorgue (Chateau La Siroque no film) – Um bom ano.

Tudo bem, na filmografia do Ridley Scott não é um episódio relevante, nem talvez na do Russel Crowe. Mas esta comédia romântica para enófilos é uma ocasião para lembrar que sempre tem regiões vinícolas que a gente conhece pouco, como a Provence, por exemplo, onde se passa o filme.



MELHOR VINHO DE ANIMAÇÃO 
Chateau Latour 1961Ratatouille.
Monsieur Linguini, o senhor seria um idiota de proporções gigantescas para não apreciar um Chateau Latour de 1961 afirma o chef Skinner em uma cena (para nós) notável. Como discordar?


MELHOR VINHO DE ROTEIRO ADAPTADO
Chateau Montelena Chardonnay 1973 - Bottle Shock, o Julgamento de Paris
História verídica, que conta a vitória de um chardonnay californiano entre pares (e muito mais badalados) franceses. A história é bem conhecida no mundo enófilo; quem ainda não conhece pode clicar aqui e ainda se surpreender descobrindo que um californiano ganhou dos franceses também na categoria tintos: Stag’s Leap 1973 levou a melhor na frente de Mouton Rothschild 1970, Haut Brion 1970 & Cia. Armadilhas das degustações às cegas...!



MELHOR VINHO DE ROTEIRO ORIGINAL
Chateau Haut Brion  - Meia Noite em Paris
Vamos dar o mesmo prêmio que na verdade ganhou (melhor roteiro original) para o último do Woody Allen, que celebra em vários momentos o Chateau Haut Brion e La Mission de Haut Brion. A melhor cena é com o Salvador Dalì (Adrien Brody) delirando no bistrô sobre rinocerontes.



MELHOR VINHO DE DOCUMENTÁRIO 
Malvasia di Bosa de Giovanni Battista Columbu - Mondovino
Obviamente não podia faltar o documentário do Jonathan Nossiter que inspirou até o titulo deste blog. Entre os muitos vinhos homenageados pelo diretor, ganha pra mim um verdadeiro vinho de terroir da Sardegna. Um branco de sobremesa capaz de envelhecer bem por 50 ou mais anos. Difícil definir se é doce ou seco: é o definitivo vinho de meditação.



EFEITOS VISUAIS 
Chateau Latour 1945 - O sentido da vida
O jantar do Sr. Creosoto é talvez uma das mais memoráveis (e nojentas) cenas da história do cinema. Ao restaurante ele come um inteiro cardápio, e para acompanhar pede 6 garrafas de Chateau Latour, uma double jeroboam (ou seja uma Imperial de 6 litros) de não especificado champagne e 6 caixas de cerveja escura. Todos sabem como acabou...


MELHOR DIREÇÃO DE VINHO
Dom Perignon 1955 - 007 contra o satânico Dr. No
Se há uma personagem com quem gostaria de compartilhar umas taças é o James Bond. Uma frase que me marcou no "O Espião que Me Amava": (depois de ter matado o malvado) “Talvez eu tenha errado em julgá-lo: um homem que bebe Dom Perignon ‘52 não pode ser tão ruim”.
Mas melhor ainda é quando, no primeiro e mais celebrado filme da saga, o Bond mostra logo seu sentido para Champagne: agarra uma garrafa de Dom Perignon com a intenção de usá-lo como uma arma.
Dr. No: “Isso é um Dom Perignon de ’55, seria um pecado quebrar a garrafa.
Bond: “Pessoalmente prefiro a ‘53.”
Definitivamente o James Bond é um de nós.

9 comentários:

  1. ...e na categoria criatividade o Oscar é seu querido Mario!!!! Sempre adorável e oportuno. Obrigada por este Blog. Monica Alves

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    Respostas
    1. Sempre gentil demais, cara Monica!
      Eu que agradeço você pelas palavras!

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  2. Ótimo post, Mario !

    Vou acrescentar um prêmio à sua lista : Melhor Vinho em Língua Estrangeira, para o filme Estômago, filme brasileiro de 2007, em que o protagonista entorna no gargalo um Sassicaia, que estava guardado há anos, para criar coragem e enfrentar a namorada e o patrão, que o corneavam ... Mais não conto, para não estragar o suspense do filme, mas garanto que o Sassicaia tem um pape importante !

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    1. Nivaldo,
      Muito obrigado pelo acréscimo: este é um filme que quero assistir faz tempo, mas ainda não consegui...Agora tenho um motivo a mais.
      Valeu, meu amigo, grande abraço!

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  3. Pra variar, post fantático.
    Parabens,

    Abs

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