quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Screw-cap: tem certeza que é ecológico? (parte 2)

No post anterior vimos que o screw cap para os produtores australianos e neozelandeses foi uma opção econômica mais do que ecológica (baste pensar que uma boa rolha de cortiça chega a custar mais de 1 euro por peça aos produtores europeus, imaginem para quem ainda deve importá-lo na Oceania) e como estes Países não tinham muita tradição, o sistema se difundiu rapidamente.

no Velho Mundo é diferente: a rolha de rosca, sempre foi usada por um segmento de mercado extremamente econômico, ligada a grande distribuição varejista e percebida como sinônimo de baixa qualidade pela maioria dos consumidores.

Então para quebrar esta barreira, os produtores estão colocando o foco no apelo ecológico do negócio.

Mas qual ecologia?

Analisemos três dados, por exemplo.

O jornalista americano Paul White, editor e crítico de vinhos, afirma que os produtores que trabalham com sistemas de vedação de rosca e de rolha sintética, para compensar (e prevenir) os efeitos da anaerobiose (ocorrência das reações químicas na ausência de oxigênio que desenvolvem aromas estranhos nos vinhos) usam quantidades elevadas de sulfato de cobre.
O jornalista deu como exemplo um Pinot Noir da Nova Zelândia (País onde ele reside) vedado com screw cap, recentemente rejeitado pela União Européia devido ao elevado teor de sulfato de cobre, e suspeita que níveis ilegais de resíduos sejam regra e não exceção.

Em segunda análise, vale relembrar que para produzir rolhas de cortiça não é necessário cortar as árvores, mas sim só a casca, que cresce novamente. Os fabricantes de rolhas alegam que uma árvore vive mediamente 300 anos, já o ecossistema demora mais que isso para degradar materiais sintéticos.

E para terminar, segundo um relatório do WWF (o programa “Cork Oak Landscapes”) espera-se que por causa da crise do uso de rolhas de cortiça (que em 2015 poderá ser apenas o 5% do mercado global) e do abandono subseqüente da exploração das florestas, nos próximos 10 anos poderiam ser perdidos 75% das árvores de cortiça no Mediterrâneo Ocidental, uma área igual a dois terços da superfície da Suíça.
Com conseguinte desaparecimento de muitas espécies já ameaçadas de extinção.

Isso sem contar a perda de cerca de 62.500 empregos

Praticamente o contrário do que nos estão induzindo a crer.
A verdade é que para ajudar o planeta temos que utilizar a cortiça.

Por isso, na medida de preservar habitats importantes para a biodiversidade ecológica, nasceram na Europa experiências de coleta e reciclagem de rolhas de cortiça, como estas que já vimos aqui.

Isso sim é fazer ecologia.

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