sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Bodega Renacer: sucesso merecido

Nesta semana fui convidado a uma degustação da Bodega Renacer, (nada a ver com a igreja do Kaká), sucesso de público e de crítica internacional, sobretudo graças à linha Punto Final que oferece um bom custo/beneficio, como o Clássico Malbec, que figura normalmente entre os primeiros 30 vinhos mais vendidos nos Eua (porém lá custa menos que a metade do que aqui, mas esta é uma outra história...).

A vinícola argentina produz 6 rótulos, dos quais degustamos 4.

O primeiro foi o Punto Final Sauvignon Blanc, muito aromático: mostrou muito maracujá, junto com outras frutas cítricas, eu particularmente senti logo um grapefruit. Na boca a sensação é repetida, com também um abacaxi, corpo leve, bastante acidez e um toque de cremosidade final (R$ 42,00).



Seguiu o campeão de vendas Punto Final Clássico: um Malbec muito fácil de gostar, macio e com discreta complexidade e bom equilíbrio. Levou 90 pontos pelo Robert Parker na safra 2008 (R$ 45,00).


Completou a linha o Punto Final Reserva, feito de 99% Malbec e 1% Cabernet Franc (só para fazer charme). Este já levou 92 pontos pelo Parker (2006) e é bem mais estruturado e complexo. Notas de café e tabaco e bastante madeira, como o Robertinho gosta (R$ 74,00).


Para fechar em grande estilo o Amarone do Cone Sul, o Enamore (o próprio nome é um anagrama da palavra Amarone). Quem notou alguma semelhança com os rótulos da italiana Allegrini não está enganado. Este vinho é fruto de uma parceria entre os dois produtores e o trabalho é supervisionado pelo enólogo do excelente produtor do Veneto. O sistema usado é o mesmo usado pelo Amarone, o da passificação (desidratação natural das uvas), mas o corte não tem nada a ver com o italiano, que leva Corvina, Rondinella e Molinara. Já aqui são usadas Malbec, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah e Bonarda.
De qualquer forma é um vinho impressionante tanto no aroma quanto no paladar. Amoras, alcaçuz e torrado. Na boca uma bela personalidade, corpo robusto, taninos macios, madeira bem presente (12 meses) e final longo. Na safra 2007, 92 pontos RP e 91 Wine Spectator (R$ 110,00).


Enfim, gostei bastante dos quatro, apesar de não fazer muito o meu estilo, mas são vinhos bem trabalhados que agradam qualquer paladar.

Obviamente cada um deles tem o seu momento e seu par gastronômico. Mas tendo que escolher um, eu ficaria com o Clássico, nem tanto pela questão custo/beneficio (que também é importante), quanto pela menor presença de madeira (6 meses) que, como a vinícola usa somente barricas novas, a percepção amadeirada se torna bem mais intensa nos outros.

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