quinta-feira, 22 de julho de 2010

O que as empresas não contam...

Algumas palavras do vinho te causam urticária somente a pronunciá-las. Um exemplo? Acidificação. Vocês sabem, a acidez é o esqueleto do vinho, um dos pilares da sua qualidade: quando ela falta o produto é praticamente chato, sem frescor e mole.

Acontece que Alder Yarrow, um dos wine writes mais famosos do mundo, de volta de uma viagem na Austrália observou que lá praticamente todos os vinhos são acidificados, ou seja, tornados mais ácidos e frescos adicionando ácido tartárico ou outros.

Reparem uns trechos:
“Um enólogo australiano que afirme que não acidifica está mentindo (...). Ninguém ama falar de acidificação na Austrália, assim como ninguém ama falar de irrigação na Califórnia ou de chaptalization (adição de açúcar no mosto, n.e.) na Borgonha.”

Que beleza. A lista destas práticas é infinita. Elas são permitidas por lei, mas estão longes anos-luz da idéia do vinho como expressão autêntica do terroir. Obviamente todos declamando publicamente as próprias virtudes e escondendo os defeitos na penumbra da adega.

Infelizmente isso acontece no mundo inteiro: Brunellos que não são Brunellos, cortes de Shiraz e Merlot baratos vendidos como caros Pinot Noirs da Borgonha, uvas Primitivo que saem da Puglia e vão acabar nos cortes da França, fungicidas para estabilizar vinhos argentinos, Champanhes franceses feitos com brancos da Sicília e por aí vai.

Para um escândalo que estoura dez ficam ocultados. Concentradores, trituradores e sacos de taninos já não são mais notícia. Aromas induzidos artificialmente e osmose inversa são praxe em produtores do Novo Mundo (sobretudo Austrália). Esta é até engraçada: os japoneses inventaram uma maquina capaz de transformar com uma descarga elétrica um vinho recém engarrafado em um vinho perfeitamente envelhecido. Já pensou? O cara acabou de vinificar a safra atual, pega este aparelho e zac! coloca o rotulo com a safra 1996 e a vende como tal...

Enfim, tudo em nome do deus Dinheiro, que parece ter mais adeptos do que o Deus Baco.

2 comentários:

  1. Mario,
    Fiquei impressionada com essas notícias. Tem algum caso famoso que foi noticiado?

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  2. Rosane,

    Os casos são inúmeros, os mais recentes que envolveram vinícolas famosas foram o escândalo do fungicida em vinícolas da Família Zuccardi em Argentina; a fraude feita por produtores franceses de Languedoc-Roussillon que venderam por 2 anos misturas de vinho de duvida procedência como se fosse Pinot Noir da Borgonha para o Red Bicyclette da empresa americana Gallo (1° produtor mundial), e o famoso escândalo de "Brunellopoli" em 2009 que envolveu vinícolas premiadas (como Argiano, Casanova dei Neri, Antinori, Marchesi de’ Frescobaldi entre outras) por fazer blends com uvas não permitidas pela denominação “Brunello di Montalcino”...

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