domingo, 4 de janeiro de 2015

Eu sei porque você não gosta de vinho branco

Nestes dias de calor, reunimos um reduto grupo de amigos que ainda acreditam que vinho branco é vinho, e fizemos uma degustação só de brancos, da qual falarei no próximo post. Parece brincadeira, mas já ouvi muita piada sobre o fato de vinho branco não ser vinho e outras coisas do tipo, fato é que o brasileiro ainda tem certas resistências a vinho branco. Quanto a mim, embora de maneira geral também prefira tinto, alguns dos meus vinhos favoritos são brancos.

Poderia estender o discurso para rosé e espumante, mas vou me limitar ao branco. Gosto não se discute, portanto se você não gostar eu não quero dizer que você está errado, mas saiba que está mesmo. Ehehe, brincadeiras a parte, se você se considera um amante de vinhos, não pode se negar o prazer de um bom branco colocando barreiras no seu universo enófilo. Quem perde de fato é você. Isto sem contar que o clima brasileiro é certamente mais idôneo para vinhos mais leves e refrigerados.

O problema não é preferir tinto a branco, mas aqui se chega ao extremo de preferir um tinto ruim a um bom branco.

Analisando a questão, além de preconceitos históricos e restrições culturais derivantes, com razão, na base de branco ruim que chegava por aqui quando começaram as importações de vinho, um aspecto fundamental que tenho percebido nos dias de hoje é que o consumidor brasileiro não está disposto a gastar para uma garrafa de branco o mesmo valor que gastaria para um tinto.

Na verdade para valorizar o tão procurado custo/beneficio se deveria fazer o contrário, pois no mesmo preço as chances do branco ser melhor que o tinto são maiores, e lhe explico o porquê.
Primeiramente o custo de produção para um branco, de modo geral é menor lá na vinícola; em segundo lugar, como branco é justamente (e infelizmente) uma tipologia de vinho pouco requerida e consumida, os importadores, distribuidores e varejistas, aceitam menor margem de lucro sobre estes produtos para impulsionar as vendas.

Digamos que você tenha um orçamento de R$100 para investir numa garrafa de vinho que ainda não conhece: com este valor você tem poucas chances de acertar um tinto muito bom, discretas chances de levar um tinto razoável, e chances razoáveis de pegar um tinto ruim. Já com branco o quadro é invertido, e pelos motivos acima citados, você tem mais chances de acertar as cegas um de alto nível.

Dei o exemplo de R$100, mas as proporções continuam as mesmas em qualquer faixa de preço, mesmo na entry level: um branco barato tem mais chances de ser melhor que um tinto barato. Mas acontece que a pessoa que gasta R$300 por um tinto quer gastar 30 para um branco e fatalmente as diferenças emergem; já se gastasse o mesmo valor, talvez os (pre)conceitos começassem a mudar. 

Portanto não quero convencer ninguém a gostar de branco (deixo a tarefa para esta publicação mais ilustre), mas simplesmente abrir o olho ao consumidor para que reavalie seus hábitos de despesas com vinho, pois fidelidade cega á própria tipologia de gosto não necessariamente traz boas experiencias. Nisso eu não sou nada coerente: contanto que o vinho seja bom, ele é bem vindo de qualquer cor. E vou lhe dizer mais: entre um tinto medíocre e um branco medíocre eu prefiro uma boa cerveja. 



6 comentários:

  1. 100% apoiado! Por isso que você é "o melhor que nós temos".
    Tom Meirelles

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    1. Você que é, Tom!
      Obrigado pelo comentário e pelo apoio.
      Abraço

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  2. Oi Mario,
    Ótimo artigo! Também tenho (ou tinha) vários amigos assim. Quando conheci meus confrades, não bebiam brancos e torciam o nariz para eles. Até que um dia lhes apresentei um Tondonia. Agora, são fãs incondicionais e nossas reuniões não passam sem um branquelo. O mesmo fiz com dois outros amigos bebedores de vinhos. Levei-lhes um Gravonia e voilá! Suas adegas agora têm um monte de brancos. Quando uma pessoa me diz que não gosta de brancos eu respondo na lata: - É porque você nunca bebeu um bom! rsrs.
    Grande abraço,
    Flavio

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    1. Perfeito Flavio! A questão é exatamente esta. Se as pessoas não estiverem dispostas a gastar um pouco mais para os brancos nunca irão descobrir a variedade e a beleza que este universo pode proporcionar.
      Obrigado pela sua contribuição!
      Abraço

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  3. Eu também não era chegado a vinhos brancos, mas depois de férias na Borgonha, e conhecendo os maravilhosos chardonnay, de lá me converti.

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    1. Pois é Affonso, o ponto é não desistir depois dos primeiros brancos mais ou menos, pois o vinho branco de cada um existe, é só procurar.
      Obrigado pelo seu testemunho.
      Abraço!

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