terça-feira, 27 de março de 2012

E você, prefere a janela ou o espelho?


Voltando ao maldito assunto da lei das salvaguardas, já ressaltei que nem todas as vinícolas participam do pedido: os principais responsáveis, pelo menos os mais falados parecem ser: Miolo, Salton (que voltou atrás), Aurora, Aliança, Don Giovanni, Garibaldi, Casa Valduga and Dal Pizzol, enfim as grandes marcas nacionais.

Já os pequenos produtores, não aprovam e, no caso a medida passar, serão os maiores prejudicados, juntos com nós consumidores.

As vinícolas Adolfo Lona, Angheben, Cave Geisse e Vallontano - por sinal produtores de alguns dos melhores vinhos nacionais – uniram as forças mantendo firme as próprias posições e questionaram de forma clara e sensata alguns itens que continuam inexplicáveis.

Leia aqui na integra o manifesto oficial:


“As vinícolas ADOLFO LONA VINHOS E ESPUMANTES, ANGHEBEN VINHOS FINOS, CAVE GEISSE e VALLONTANO VINHOS NOBRES vêm a público se manifestar a respeito da polêmica da salvaguarda solicitada por algumas entidades do setor vinícola.

Causou-nos estranheza a solicitação dessa medida já que no nosso entendimento os benefícios serão mais uma vez destinados às grandes indústrias, penalizando a diversidade da oferta e o consumidor.

Por outro lado o pequeno produtor, que enfrenta hoje diversas dificuldades, não pára de se questionar:

Por que estas entidades não buscam o SIMPLES para o pequeno produtor?
Por que não pedem o fim das normativas (IN05 etc..) que limitam e dificultam as atividades de pequenas vinícolas?
Por que essas mesmas entidades impediram que entrasse em vigor a dispensa da aplicação do SELO FISCAL para quem produzisse até 20.000 litros de vinho (IN RFB N – 1.188/2011 DOU 1 DE 31/08/2011)?
Por que não concentram seus esforços para baixar os tributos do vinho brasileiro ao invés de aumentar a taxa do importado?
Por que para produzir vinho temos que seguir normas de produção de alimentos, mas na hora de pagarmos impostos somos produtores de bebida alcoólica?

Porém, o que parece responder a estas perguntas é a intenção de simplesmente burocratizar o setor e defender os interesses das grandes corporações. Estamos caminhando para a era da industrialização em massa, estamos dando aval ao vinho commodity em detrimento da diversidade brasileira. Isso é degradante.

Não podemos compactuar com quaisquer iniciativas que não sejam discutidas de forma ampla e democrática, com todo o setor. Precisamos sim de uma salvaguarda para a sobrevivência da diversidade do vinho brasileiro. As empresas que representam a minoria poderosa já começam a sofrer retaliações por parte de jornalistas, formadores de opinião, proprietários de restaurantes, supermercadistas, sommeliers e consumidores. Algumas inclusive já estão mudando de opinião!!

Esperamos que ao contrário do acontecido com o selo fiscal, desta vez nossa voz seja ouvida. Uma frase de Ettore Scola pode sintetizar este momento: “Ho sempre preferito la finestra allo specchio”- "Sempre preferi a janela ao espelho.". Não está na hora de começarmos a mirar pela janela ao invés de nos centrarmos nos nossos umbigos? O mundo é vasto, vivemos um momento de encurtamento de distâncias, quedas de fronteiras e ao mesmo tempo de valorização das identidades locais e não será uma salvaguarda limitada e preconceituosa que resolverá as mazelas do vinho brasileiro!!”

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