terça-feira, 12 de outubro de 2010

A jovem guarda

Uma das mais comuns questões sobre vinho è o tempo de guarda. Às vezes pessoas me perguntam por quanto tempo é possível guardar os próprios vinhos. Bom, a resposta é muito simples e é: não tem resposta. Ou pelo menos, não existe uma resposta válida em absoluto, pois depende de caso em caso.

Obviamente vocês sabem muito bem que o antigo ditado “Quanto mais velho melhor” é uma lenda e que na verdade para a maioria dos vinhos é verdadeiro o contrário.

O que significa isto? Como sabemos dentro da garrafa o vinho continua o seu ciclo de vida e depois de ter alcançado o ponto máximo de maturação começa a curva de decaimento, conseqüência da lenta oxidação que no fim deste processo tornará o nosso amado néctar dos deuses em um caro tempero para saladas.

Excluindo os vinhos de guarda (como os grandes Bordeaux, Borgonhas, Barolos, Brunellos e alguns supertoscanos) que envelhecem bem por 20-30 anos e até mais, cerca de 90% dos vinhos hoje disponíveis no mercado mundial são para consumo imediato.
Outro dado que achei interessante é, por exemplo, que 95% dos vinhos vendidos nos Estados Unidos são consumidos em 24 horas!

Agora a pergunta é: até quando posso esticar o consumo de um vinho comum para o dia a dia? Ou seja, dos rótulos que eu chamo simpaticamente de vinhos de “jovem guarda”.

Dependendo de X fatores como casta de uva, idade dos vinhedos, vinificação, (fermentação, maturação, afinamento), teor alcoólico, nível de açúcar, acidez, tipo de vedação, conservação, etc, os resultados podem ser bem diferentes.

Em linha de máxima a minha dica é de 3-5 anos a partir da safra no rótulo para os tintos e 2-4 anos para os brancos.

Na verdade o único método seguro para não ter erro é conhecer o vinho em questão, e o lugar onde foi armazenado, mas mesmo assim podem encontrar umas surpresas.

Então a minha sugestão definitiva é (excluindo os vinhos de guarda acima citados): beba seus vinhos, que em caso estejam ainda fechados ou duros é ainda possível melhorá-los com uma decantada. Já se tiverem passado do ponto o processo é irreversível e neste caso a única coisa a dizer é o clássico do slang carioca “perdeu, playboy!”.

Um comentário:

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