terça-feira, 7 de abril de 2015

Destaques da 1a feira de vinhos naturais (parte 2: França)


Continuando o post anterior sobre a feira de "vinho natural", depois de ter visto os meus destaques brasileiros, vamos agora para os vinhos que mais me impressionaram no lado francês.

- O Cairanne do Domaine Richaud , um branco com corte típico do sul do Rhone (Roussane, Marsanne, Viognier, Grenache blanc, Clairette), gordo e complexo.




- Os brancos da Alsácia de Julian Meyer: o Gewurztraminer Les Pucelles 2013 bem aromático e sobretudo o Riesling Muenchberg Grand Cru 2012, Espetacular.



- Os Morgon do Domaine Jean Foillard. Até quem não é fã de Beaujolais e da uva gamay (como eu) vai adorar (como eu) seus "Côte du Py". Especialmente o Pi, simpático jogo de palavras com o número grego 3,14, é delicadamente marcante.



- Catherine et Pierre Breton trouxeram 4 vinhos precisos do Vale do Loire, todos a base de cabernet franc. Recentemente tinha provado um Chinon Beaumont 2006 já bastante evoluído, mas os vinhos de safras recente são de um equilíbrio perfeito. O Bourgueil  Les Perrières 2011 é o mais estruturado e encorpado, mas fiquei encantado com a elegância do Nuits d'Ivresse 2012.



- Também do Vale do Loire, apreciei bastante os vinhos do Domaine Bobinet. Da AOC Saumur Champigny, o Amatéus Bobi e o Ruben são também Cabernet Franc, de vinhedos de 40-50 anos de idade. O estágio em madeira de 18 meses os torna ainda mais complexos, mas mantendo frescor e finesse.



- Os vinhos do Pierre Overnoy mereceriam um capítulo a parte, pois estamos falando do “papa” dos vinhos naturais, uma verdadeira lenda viva. Mas mesmo com um post a parte, provavelmente não saberia encontrar palavras para descrever estas maravilhas engarrafadas. Da região de Jura, os vinhos Arbois Pupillin de Pierre Overnoy e Emmanuel Houillon representam a quintessência não apenas para a vertente natural, mas no mundo do vinho em geral. São vinhos next level, a um estado de pureza quase etérea.
Ploussard, Chardonnay e Savagnin são as uvas de seus vinhedos orgânicos. A surpresa foi um Savagnin 2004 em garrafa de 500ml cujo nariz estava totalmente oxidado, mas com paladar delicioso. Nem sei quantas vezes repeti todos eles, especialmente o Ploussard.



Enfim, este evento foi uma experiência única e enriquecedora, que todo enófilo e profissional de vinhos deveria fazer. Claro, visto que foi, digamos, um piloto, a feira pode ser certamente melhorada em alguns itens, mas Alain e Pedro estão de parabéns, pois conseguiram algo que nunca sequer tinha sido pensado no Brasil e esta 1a feira de qualquer forma é para se considerar como uma espécie de divisor de águas no nosso mercado, que espero comece a ser mais receptivo para estes tipos de vinhos.

Não sou muito de me expor, mas esta não podia deixar passar, pois sou muito
fã deste cara, que, além de ser um grande artista, entende de vinho como ninguém



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