quinta-feira, 2 de abril de 2015

Destaques da 1a feira de vinhos naturais (parte 1: Brasil)

Nestes dias aconteceu nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo o 1° Encontro Franco-Brasileiro de Vinhos Naturais, iniciativa pioneira e ousada promovida pelos nossos amigos Alain Inlges e Pedro Hermeto, ambos grandes visionários, desde sempre no eno-gastro-mundo com foco para a vertente “bio”.

O evento se desenvolveu em 4 etapas: sendo 2 jantares harmonizados e 2 feiras. Participei na feira do Rio de Janeiro no restaurante Aprazível (o Pedro é sócio da casa) e devo dizer que foi uma experiência bem enriquecedora. A verdade é que não estamos (eu me incluo nessa) acostumados a estes tipos de vinho e alguns torceram o nariz, mas pessoalmente, tirando um ou outro mais “exótico”, gostei de quase todos os vinhos da feira. Já conhecia alguns dos rótulos de produtores como Tormentas, Era dos Ventos e Domaine Breton, mas estar lá conversando com as pessoas que fazem o vinho é algo bem diferente.

A seleção escalada para França foi a seguinte: Domanie Houillon-Overnoy, Domaine Bobinet, Domaine L’Anglore, Domaine Julian Meyer, Domaine Breton, Domaine Richaud, Domaine Jean Foillard.

Já a seleção brasileira foi: Arte da Vinha, Atelier Tormentas, Cave Geisse, Era dos Ventos, Dominio Vicari, Vinha Unna, Vinhedo Serena

Previsivelmente os franceses se mostraram mais afinados e consistentes que os verde-amarelos (alguns ainda em fase de experimentação), obviamente ninguém esperava o contrário, mas de qualquer forma os nacionais se defenderam bem.

Sem entrar muito em detalhes, vou dividir a matéria em 2 partes,  simplesmente destacando os vinhos que mais me impressionaram. Começando pelos brasileiros:

- O projeto Geisse Leveduras Indígenas: de safra 2012 e 2013 ainda em fase de estudo e sem previsão de lançamento, o espumante mais novo mostrou uma acidez vibrante já o mais antigo se destacou pela cremosidade e maciez.



- Era dos Ventos Peverella: é um dos vinhos que já tenho provado algumas vezes, em estilo orange wine é muito gostoso e refrescante (em primeira mão provamos também o Trebbiano on The Rocks, novidade interessante que será lançada este ano).



- Os vinhos da Domínio Vicari são todos de alto nível, mostrando rara pureza, mas meu destaque vai para o Sauvignon Blanc 2014, diferente de outros varietais comuns da mesma casta: nada de maracujá ou notas vegetais, mas amêndoas, manteiga, flores de campo, maça, uma maravilha. Detalhe, além de não usar nenhum tipo de química no vinhedo e na adega, os vinhos da casa são todos produzidos sem passagem em madeira, levando ao pé da letra o conceito natural como simples expressão da uva e seu terroir.



- Marco Danielle se tornou em breve tempo um produtor “cult” assim como seus vinhos de minúscula produção do Atelier Tormenta. Os vinhedos são orgânicos e biodinâmicos, e quando ele usa sulfitos, a quantidade (sempre mínima) é explicitamente declarada no rótulo. Eu tinha já provado o Tormentas Merlot 2007 (pra mim um dos melhores tintos nacionais já produzido) e o Cabernet Franc 2010, já para a feira ele levou um Barbera frutado e intenso, e 2 pinot noir. A casta francesa é considerada seu carro chefe e provavelmente seu Fulvia seja o melhor pinot noir da América Latina. Ainda não provei o tal, mas o Piracini e o Serena são 2 pinots fora de série, refinados e complexos. Borgonha total.



- E falando em pinot noir, teve outro nacional que me impressionou, Vinhedo Serena. A vinha é exatamente a mesma da qual provêm as uvas do Tormenta acima citado. Obviamente o trabalho na adega é diferente, mas de qualquer forma a qualidade das uvas se reflete em ambos os vinhos, ressaltando caraterísticas similares. De maneira geral ousaria dizer que os dois pinots brigam pau a pau, em nível top. Parabéns aos dois. 




Se achou bom até aqui é porque ainda não sabe dos franceses: não perca, no próximo post.


2 comentários:

  1. Caro Mario,
    Pelo jeito foi legal o evento, hein?
    Eu também gosto do Era dos Ventos e dos vinhos do Marco. Concordo com você em relação ao Merlot 2007. Gostei muito também. Também gosto bastante dos seus Cabernet Franc, com aquele toque gostoso de azeitona preta... Quanto ao Fulvia Pinot Noir, o que mais gostei foi o 2009. O 2012 achei um pouco fechado e estou guardando para beber daqui uns tempos. O 2013 achei com mais características sulamericanas. Eu gostei até mais do Piratini, que me remeteu mais aos borgonhas.
    Bem, estou aguardando sua próxima postagem, quando deve tratar de Catherine e Pierre Breton, não? Adoro os seus vinhos.
    Grande abraço,
    Flavio

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    Respostas
    1. Grande Flavio,

      Sim, o evento foi bem legal.
      Estou curioso sobre o Fulvia PN, que como disse, ainda não provei, mas pela sua descrição hoje o Piratini é até melhor...
      Se não conhece ainda recomendo também os vinhos da Lizette Vicari, eu falei do SB, mas tinha um ribolla gialla (vinificado em orange), um sangiovese e um merlot todos excelentes. Inclusive parece que o melhor vinho da casa ja feito seja um riesling italico, mas ja esgotou...

      Quanto aos franceses, claro, Breton, mas sobretudo o Overnoy, que algo de outro mundo!
      Até breve!

      Grande abraço e boa Páscoa!

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