quarta-feira, 15 de abril de 2015

6 motivos para não se tornar um wine expert

Meu caro expert, sommelier, degustador ou enófilo, diga a verdade: quanto você se acha cool pelo fato de “entender” de vinho? E quantos sinais de admiração você já recebeu pela sua maravilhosa sabedoria, que inflam sua auto-estima que nem balão de ar quente? No entanto tem muitas situações em que você teria preferido entender de coisa nenhuma.

Você vai se reconhecer nas experiências traumáticas a seguir, mas antes de desperdiçar seu dinheiro com um psiquiatra abstêmio, leia este breve tutorial, para libertar seu subconsciente e vencer o desconforto de uma vez por todas.

1) Em restaurantes com amigos a carta de vinhos vai ser inevitavelmente passada para você: “escolhe aí, você quem é o expert”. Putz, não tem como fugir. Acabará escolhendo uma garrafa cara demais que não harmoniza com a camisa brega do cara na sua frente nem com a bolsa Luis Vuitton falsificada da mulher dele. Fiasco garantido e 10 pessoas que falarão em seus escritórios que seu conhecimento em matéria de vinho é bem aquém do que dizem por aí.

2) Tem convidados para um jantar em casa e pela ocasião nunca falta o carinha que levará um vinho horrível (até no rótulo). Aí quando estará no último gole do seu Gaja o cara vai dizer: “Não vamos abrir meu vinho?”. Graças a Deus você não o tinha despejado no molho (seria ruim até para cozinhar) nem jogado ainda no balde do lixo: é obrigado a tomar e declamar que o vinho é simples, mas com discreta complexidade e será forçado a ouvir o sermão do cara que vai te repreender por gastar absurdos com Gaja quando um reservado carmenere expressa tão bem a vocação de seu terroir por apenas 19 reais.

3) Degustação entre amigos: vários vinhos para provar ao longo de uma noite etílica. Você nunca viu 13 dos 14 vinhos presentes, mas “monte a seqüência, você quem é o sommelier”. Aí mesmo não conhecendo os vinhos vai por intuição, na base das características típicas das castas e relativas áreas de produção, mas inevitavelmente logo naquela ocasião o syrah não é tão apimentado como deveria e o pinot é mais encorpado que o usual, a ordem fica comprometida e acaba igual ao ponto 1.

4) No restaurante com uma gata incrível nem está acreditando que ela aceitou sair com você: deve ser engano e não pode perder tempo, ela pode mudar de idéia...Neste momento você ta nem aí com o vinho e sua única preocupação é finalizar a noite na melhor das maneiras. Mas aí o sommelier te reconhece: você é o expert de vinho! E aí começa a ladainha sobre as fermentações espontâneas e te traz uma garrafa de um pequeno produtor artesanal que só ele conhece. E vai aparecer á sua mesa várias vezes interrompendo sem piedade seu jogo de sedução. Resultado: a mulher fica entediada, você não consegue mais lembrar nenhuma frase romântica que vinha ensaiado há uma semana e a noite acaba tristemente.

5) Você chega em casa de amigos com uma garrafa de Krug 95 e a reação deles é a mesma que se tivesse levado um lambrusco de supermercado. Afinal para não ofender eles vão até concordar que seu Champagne é bom...mas, é claro, nada que se compare com Veuve Clicquot e Moet & Chandon...

6) Almoço bem chato, você ta distraído e no primeiro gole não percebe uma leve sensação de bouchonné, sendo que na verdade é o menor problema daquela garrafa. Vergonhosa desonra e reputação manchada indelevelmente para sempre.

Então, considerando estes e outros pontos (fique a vontade em acrescentar) a pergunta que vai se fazer aflora naturalmente: "por que raios fui inventar de me especializar em vinhos?"


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