segunda-feira, 3 de junho de 2013

Guerra de borbulhas: ataque contra a denominação Cava!

As colinas de Penedès são, além de pulmão verde da Catalunia (40 km de Barcelona) a pátria do Cava, o champagne espanhol. Aqui, em 1872 foi produzido o primeiro espumante local. Xarel.lo, Macabeo e Parellada são as castas brancas permitidas pela Denominação de Origem: a primeira traz força e corpo, a segunda um toque de fragrância e notas frutadas, a última elegância. A regulamentação também permite o uso de castas internacionais e a Chardonnay só poderia ser a convidada de honra. Todas são protegidas - fisicamente e metaforicamente - pelo maciço de Montserrat, uma alta colina que não permite a entrada de ventos frios do norte. A temperatura média para os territórios de Penedès é de 15° graus, com máxima de mais de 30° no verão e umas limitadas geadas no inverno.

É na pequena aldeia de Sant Sadurní d’Anoia que foram produzidas as primeiras garrafas de vinho espumante com método clássico (champenoise) espanhol e é justamente aqui que está sendo decidido o futuro da denominação Cava: através de uma batalha diplomática entre grandes marcas e uma pequena vinícola.
Atualmente os protagonistas absolutos do mercado são as gigantes Codorníu e Freixenet: sozinhas são responsáveis de metade da produção de garrafas com denominação Cava.
Raventós i Blanc é uma família de pequenos produtores que está fazendo autenticar uma placa, que certifica a produção de vinho desde 1497, apenas cinco anos após a descoberta da América por Colombo. Hoje o Pepe Raventós, 21° herdeiro da família quer dissociar-se da produção de Cava para formar uma nova denominação de origem: Conca del Riu Anoia.
Escolha bem curiosa. Além do nome improvável (quer comparar a simplicidade da palavra “Cava” com a nada imediata “Conca del Riu Anoia”?), a vinícola é praticamente colada com a Codorníu. Se você chegar de carro na Raventós i Blanc, vai de fato estacionar na Codorníu...Então, como é possível produzir borbulhas diferentes no mesmo lugar? E como competir no mercado com marcas e nomes conhecidos?
A estratégia é a seguinte: território minúsculo, 100% de vinificação própria, castas autóctones (nativas) e suave transição para a biodinâmica. De fato hoje a produção de Cava traz grandes números: as 253 bodegas cadastradas engarrafam 243 milhões de exemplares, e ainda aumentando. Raventós i Blanc quer sair do mercado dos números para entrar no da qualidade.

Ainda não sabemos se a escolha – ou o sonho – vai se realizar: para a criação da nova D.O. é preciso o apoio de outras vinícolas, e a aprovação do Governo. Para muitos o nome Cava vende mais do que o próprio produto; e de fato sair dos trilhos pode ser uma faca de dois gumes.

Veja aqui alguns bons Cava 
Aqui o melhor que já provei 
E aqui o bolso esperto 


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