domingo, 26 de maio de 2013

Grande vinho, safra ruim: veja o resultado

O vinho que inspirou o último post (veja aqui) é um top mesmo. Italiano (alguém tinha alguma dúvida?), supertoscano de raça, do produtor que de fato foi pioneiro na produção destes vinhos que se tornaram marcos da viticultura da Itália e icônicos no mundo inteiro.
Estou falando de Antinori, e neste caso especifico, de seu Solaia. Lançado no ano de 1978 e produzido na já famosa tenuta Tignanello (no coração do Chianti Classico), o Solaia é hoje o vinho top de toda a grande produção deste grande produtor.

Recentemente rachamos uma garrafa entre amigos, de safra 2002.
Para quem não sabe, a de 2002 foi uma da piores na Toscana, caracterizada por excessivas e fortes chuvas, sobretudo em Chianti. Isto tornou difícil o trabalho e prejudicou as uvas tanto na questão da maturação, quanto no estado sanitário dos cachos. Uma cuidadosa seleção das uvas de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc resolveu o segundo problema, mas a Sangiovese não alcançou uma maturidade satisfatória, ao ponto que foi excluída do tradicional corte de 3 castas.
Ou seja, uma safra diferente, como o próprio rótulo afirma logo abaixo do nome (Annata Diversa).

Mas o vinho é bom? Não, meus amigos, não é bom: é muito bom! O deixamos decantar por uma meia hora ou mais e já fomos conquistados pelos lindos aromas de fruta negra, flores e especiarias. O bouquet continuou vivo e impressionando ao longo de mais de uma hora, evoluindo para notas tostadas, chocolate e café. No palato muita elegância, uma textura levigada e complexidade de sobra. O conjunto em perfeito equilíbrio: ótima acidez, madeira perfeitamente integrada, álcool imperceptível, e taninos muito finos. Talvez (aliás, certamente), não seja o melhor Solaia, mas se este é o Solaia de safra ruim, imagine o de safra bom!

De fato, como antecipado na matéria precedente, os grandes produtores redobram os esforços para manter a qualidade de seus vinhos tops e os mais sérios, em casos de safra não satisfatória, chegam a conclusões extremas, como até a de não produzir o vinho. O próprio Solaia, por exemplo, não foi elaborado em 5 safras até agora. No caso de 2002 foi descaracterizado do típico contributo da Sangiovese, ma de qualquer forma o resultado final foi louvável e garantiu alta qualidade. Com 11 anos de vida, ainda agüentaria tranquilamente mais 11.
Um grande vinho é um grande vinho. Always.

Vinho:
Solaia
Safra:
2002
Produtor:
Marchesi Antinori
País:
Itália
Região:
Toscana (Chianti)
Uvas:
Cabernet Sauvignon (90%), Cabernet Franc (10%)
Alcoól (Vol.)
13%
Importadora:
Winebrands
Custo médio:
R$ 1.200,00


5 comentários:

  1. Caro Mario,
    É aquele negócio: Craque recebe a bola quadrada, dá aquela arredondada e faz um golaço!
    Grande abraço,
    Flavio

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    1. Grande Flavio,
      Não podia fazer uma comparação melhor: a sua metáfora é simplesmente perfeita.
      Obrigado!
      Forte abraço

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  2. Que bom que eu estava junto quando você tomou. Sensacional ! Tomar um Solaia sem Sangiovese é para poucos. Um abraço,Antônio Meirelles

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    1. Grande Antônio! Pois é, sabendo arriscar, o mundo do vinho sabe sempre nos surpreender.
      Forte abraço!

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  3. Eu tenho uma garrafa desse vinho, será que alguém se interessa em comprar?

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