quarta-feira, 22 de maio de 2013

Eu o chamaria de Château Lynch-Crasto...

Pois é, o nome no rótulo é Xisto - Roquette e Cazes. A primeira palavra para indicar o tipo de solo rochoso, e a seguir os sobrenomes das duas famílias que dão vida ao projeto. Mas nem todo mundo sabe que a família Roquette é dona da famosa vinícola português Quinta do Crasto; e nem todo mundo sabe que os Cazes são proprietários de um dos mais emblemáticos Chateaux de Bordeaux, o Lynch-Bages. As duas famílias se juntaram em 2002 para criar no Douro uma linha de vinhos que leva os próprios nomes. Eu que sou “marketeiro” teria aproveitado, para o rótulo, a pompa das duas grandes marcas,  mas evidentemente eles não estão preocupados com marketing.

Este vinho é produzido para ser um top e se tornar um ícone de todo Portugal, e pelo visto não esta longe disso. Corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, procedente de vinhas cuja idade vai de 25 aos 90 anos. Estagia cerca de 20 meses em carvalho francês (40% novo).

Degustei o vinho ao longo de 3 dias (com a ajuda do vacu-vin) e a coisa interessante é que no terceiro dia estava melhor que nos primeiros dois. De fato é um vinho que precisa longa decantação. Eu não botei muita fé nisso, pois sendo de safra 2005 achei que estivesse já no ponto, mas estava, evidentemente, enganado. Quando o abri, o caldo estava inteirinho, sem a mínima nota oxidativa; os taninos estavam macios (embora vivos), mas o álcool sobressaia muito. E olha que nesta safra o volume alcoólico está até moderado, com 14% (na safra de 2007 chega em 15,5%!). Mesmo assim, só sentia álcool. No segundo dia estava já melhor, mas ainda com certo desequilíbrio e a fruta escondida. Já no terceiro dia ficou perfeito. A fruta finalmente apareceu, suculenta e saborosa, com algumas especiarias e notas tostadas; o álcool parou de incomodar e se integrou com o resto do conjunto de madeira, acidez e taninos muito finos. Muito bom mesmo. Realmente um Douro com cara de Bordeaux. 

Então seguem duas dicas se quiser tomar este vinho: primeiro, esvazie a garrafa no decanter e esqueça o liquido ali por não menos de 2 horas; segundo, prepare a carteira, pois não é nada barato (cerca de R$ 500,00).


Vinho:
Xisto – Roquette & Cazes
Safra:
2005
Produtor:
Quinta do Crasto / Chateau Lynch-Bages
País:
Portugal
Região:
Douro
Uvas:
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca,
Alcoól (Vol.)
14%
Importadora:
Qualimpor
Custo médio:
R$ 500,00

2 comentários:

  1. Caro Mario,
    Concordo plenamente. É um grande vinho. Eu já tive a oportunidade de apreciar esse 2005 algumas vezes, e ele sempre se destaca frente a outros bons vinhos (um exemplo: http://vinhobao.blogspot.com.br/2012/01/e-na-primeira-reuniao-da-confraria-do.html). E como você disse, melhora muito se for previamente decantado.
    Abraços,
    Flavio

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    Respostas
    1. Grande Flavio,
      Que bom que concordou com a minha avaliação. Li a sua matéria, realmente o Xisto não tinha como perder. Pena o preço meio proibitivo.
      Obrigado pela visita,
      Grande abraço!

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