domingo, 12 de junho de 2011

Villa Antinori: você do qual lado está?

Uma coisa que devo começar a cuidar quando sugiro, indico ou coloco vinhos em degustação: o meu gosto não necessariamente corresponde ao gosto dos demais.
Isso tem a ver com a sensibilidade do paladar de qualquer um (e a respeito, o amigo e colega bloguerio Ulf  Karlholm colocou este belo post no seu blog BioVinho - by the way, segundo o teste eu sou “sensitive”), mas tem a ver também com os vinhos que se costumam tomar. Por exemplo, eu, que cresci (e continuo) tomando basicamente vinhos do velho mundo tenho uma percepção e conseqüente avaliação diferente de quem costuma beber, digamos, malbecs argentinos e cabernets chilenos. Veja bem, não estou entrando no mérito da discussão vinho bom/ruim, mas de estilos de vinho. Aqui não vou afirmar que vinho italiano é melhor que vinho argentino (mesmo sendo, hehehe), mas que percebo que muitas pessoas que não estão acostumadas ao estilo velhomundista acabam não gostando de vinhos que, a meu ver, seriam bem interessantes.
Veja o exemplo seguinte:

Recentemente, compartilhando uma mesa mista de amigos e conhecidos apreciadores de vinho, tomamos um rótulo que eu sugeri pela sua relação preço/qualidade e por agradar sempre: o Villa Antinori. O produtor dispensa qualquer apresentação, um dos maiores nomes do mundo e podemos dizer que seja o inventor dos Supertoscanos. Este supertoscaninho (um corte de Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah com estágio de 12 meses em carvalho, mais 8 meses em garrafa) conserva a qualidade da casa, mas a um preço bem mais acessivel e nunca desaponta. Pois bem, ele desapontou alguns dos presentes, especificamente os que não costumam beber vinhos do velho mundo.

O Villa Antinori não tem aquele aroma tipo batom, nem a doçura, nem fruta em abundancia, tampouco a madeira evidente, típicas dos novomundistas. Já tem toque mineral e terroso, nuances de café, de tostado e de tabaco, com taninos finos e madeira não agressiva: todas coisas que eu aprecio particularmente em um vinho.

Enfim, não é um dos meus favoritos em absoluto, mas pra mim uma boa compra (ainda naquele dia estava em promoção de R$89 por R$75). Mas, como disse, as opiniões foram divergentes: uns amigos não gostaram, já outros (os mais acostumados a este estilo) não só aprovaram a escolha, como levaram até umas garrafas pra casa.

Vou remarcar mais uma vez: ninguém de nós estava certo ou errado, é questão subjetiva de paladar.
Mas só pela estatística: você, já provou este rótulo? Qual a sua opinião?

Voto gringo: 7

Vinho: Villa Antinori
Safra: 2006
Produtor: Marchesi Antinori
País: Itália
Região: Toscana
Uvas: 55% Sangiovese, 25% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% Syrah
Teor Alcoólico: 13,5%
Importadora: Wine Brands
Custo médio: R$ 89,00

13 comentários:

  1. Li seu post e me projetei para uma situação que passei na sexta-feira, pois numa mesa com amigos uma boa parte preferiu um MALBEC argentino (simples, por sinal) a um Châteauneuf-du-Pape ( simples, mas honesto = pequeno produtor e sem a influência de Parker na França). Não que o vinho francês tenha que ser melhor, mas pude notar que a opção da maioria que gostou mais do Malbec estava na segurança de sentir um paladar conhecido, com força da madeira e fruta madura (já vulgares na boca e mente). Fiz um paralelo da minha situação - que cabe na sua - com passagem do filme MONDOVINO e escrevi um post (http://rodrigomazzei1.wordpress.com/2011/06/11/mondovino-um-documentario-para-assistir-rever-e-refletir-parte-i/)
    Acho que o Villa Antinori (vinho que vc bebeu) é um exemplo perfeito de tradição com evolução. Voto contigo! abraços (e parabéns pelo blog), Rodrigo

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  2. Esta questão de bom ou ruim, para mim, é algo que já superei. Tem vinho estragado ou não. De resto é prazer. O bom vinho é aquele que te traz prazer, lembranças e convivência.

    Concordo em relação aos estilos. Penso que iniciei, como quase todos, nos estilos andinos tipo tinto retinto e cheio de aromas, se bem que tenho notado que eles estão se modificando. Já tenho uma boa lista daqueles que outrora foram pesados e agora estão mais calmos.

    Migrei para o velho mundo porque aprecio um bom vinho com culinária, aí, aqueles feitos com menos álcool e mais elegância, até mesmo com uma boa dose de acidez ou rusticidade, como este Antinori, são imbatíveis.

    Este, em especial, é fantástico, além da descrição feito no post tem aquela rusticidade tânica da Sangiovese que gosto bastante.

    Por fim, já disse e repito, "Toda a unanimidade é burra", segundo Nelson Rodrigues.

    Um abraço Peter www.alemdovinho.wordpress.com

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  3. Mario, já provei, e concordo com sua avaliação - é uma boa relação custo x benefício.

    Mas desconfio que eu sou suspeito - embora eu seja eclético e tenha um gosto bastante variado (bebo de tudo !), meu gosto pessoal tende sempre - e cada vez mais ! - para a minha querida sangiovese ...

    No mais, concordo com você, é claro - não há certo nem errado nessa discussão. Há vinhos bem-feitos e mal-feitos, há gostos e estilos pessoais. há hábitos e culturas particulares. Aliás, eu acho que um dos grandes prazeres do mundo do vinho é exatamente a sua inapreensível diversidade : sempre há um vinho novo a provar, sempre há uma sugestão de um amigo a ser testada. Isso é estimulante !

    Abraços

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  4. Oi Mario,

    Lembro beber Villa Antinori na Suécia, muito bom!

    Um abraço
    Ulf

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  5. Rodrigo, obrigado por visitar e comentar (e pelos elogios!). Já vou ler a sua matéria.
    Um abraço!
    P.S. o nome do meu blog é claramente inspirado ao filme do Nossiter que você citou...

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  6. Peter, obrigado mais uma vez pela sua valiosa opinião.
    Concordo com você, eu também tenho notado umas mudança nos vinhos argentinos e chilenos, com vários vinhos mais elegantes que potentes.
    Mas, velho mundo, como vc disse, é parceiro perfeito para uma boa comida.
    Grande abraço!

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  7. Caro Nivaldo, concordo em gênero, número e grau. E ademais, fico feliz que seja fã da sangiovese! Olha, voltando ao assunto do post, recentemente uns meus amigos foram para Itália e não gostaram dos Chiantis que degustaram ali. Não se lembravam dos rótulos, e é possível que não fossem dos melhores, mas é mais possível que não tivessem familiaridade com o este estilo mais gastronômico...
    Grande abraço, meu amigo!

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  8. Ulf, se você aprovou então Bingo! ;-) Não é preciso dizer mais nada...
    Obrigado pela sua contribuição.
    Grande abraço!

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  9. Mário,

    Recentemente eu comprei o Marchese Antinori Chianti Classico Riserva, da safra de 2006 (na importadora, a Wine Brands, ele é 25 reais mais caro que o Villa Antinori). Você já chegou a experimentá-lo? Se já, que nota você daria, aproximadamente? Acha que ele já está em um bom momento de consumo, ou vale a pena guarda-lo por mais tempo?

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    Respostas
    1. Rubão, provei este Chianti Classico, mas de safras anteriores. De qualquer forma a de 2006 foi uma ótima safra na Toscana e, embora capaz de envelhecer bem por vários anos ainda, eu o abriria sim (talvez deixando arejar um pouco antes de beber).
      Obrigado pela visita, um abraço!

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  10. Moro na Holanda e tenho comprado o Villa Antinori 2008 por 13 euros a garrafa, bem diferente dos valores praticados no Brasil. No último ano devo ter comprado umas três caixas dele. Ele recebeu 90 pontos do Robert Parker e para mim é hoje o melhor custo-benefício do mercado.

    Também tenho preferência pelo velho mundo, porém não ignoro a potência tops chilenos e argentinos. Até porque quando falamos do topo da cadeia dos cortes bordolêses (existe esse termo?) a qualidade começa a ficar similar.

    E se os 'novomundistas' pudessem repetir a degustação da Carta de Berlim? Acho que mudariam suas opiniões. Achei uma matéria (http://revistaadega.uol.com.br/Edicoes/24/artigo64420-1.asp) que comenta a repetição da desgustação no Brasil. Vejam os resultados:

    'Este modelo de degustação foi repetido em São Paulo, em novembro de 2005, com 40 degustadores de renome nacional, também sob a coordenação de Steven Spurrier e Eduardo Chadwick, chegando à seguinte classificação:'

    1) Margaux – Bordeaux – França (R$ 1.200,00)
    2) Château Latour 2001 – Pauillac – Bordeaux – França (R$ 2.000,00)
    3) Viñedo Chadwick 2000 – Chile (R$ 430,00)
    4) Guado ao Tasso Bolgheri DOC Superiore 2000 – Toscana – Itália (R$ 400,00)
    5) Seña 2001 – Chile (R$ 350,00)
    6) Seña 2000 – Chile (R$ 330,00)
    7) Don Maximiano 2001 – Chile (R$ 250,00)
    8) Viñedo Chadwick 2001 – Chile (R$ 450,00)
    9) Château Lafite-Rothschild 2000 – Pauillac – Bordeaux – França (R$ 2.900,00)
    10) Sassicaia Bolgheri DOC 2000 – Toscana – Itália (R$ 680,00)

    Já experimentei metade dos rótulos citados acima. Sem dúvida é uma pós-graduação em vinhos.

    Ah, e meu vinho preferido atualmente é o supertoscaníssimo Guado ao Tasso (85 euros por aqui).

    Abs!

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    Respostas
    1. Helio,
      Muito obrigado pelo seu pertinente e competente comentário. É isso ai mesmo: os chilenos são mais prontos, mas tem menos longevidade; basicamente com 2-3 anos de vida um grande chileno já é muito bom, enquanto um grande bordeaux está uma criança; já depois de 15 anos o bordeaux vai começar entrar no auge enquanto o chileno já decaiu...
      De qualquer forma eu também não desprezo os vinhos do Novo Mundo, embora eu prefira os do Velho: como digo sempre, cada vinho tem seu momento (e cada momento tem seu vinho).
      Obrigado pela visita, grande abraço!

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