segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Almaviva 2007: bom, mas...

Este veio inesperado. Numa confraternização de final de ano entre amigos, depois de termos tomado 15 vinhos, o nosso grande anfitrião Pedro tirou mais uma carta da manga: Almaviva 2007, deixando o pessoal boquiaberto.

Francamente não sei se veio no momento certo, pois depois de 3 Champagnes, um branco, um rosé e 10 tintos de várias procedências e características, acompanhados por comidas igualmente variadas, talvez o nosso paladar não estivesse totalmente “sóbrio” para apreciar as nuances de um vinho desta estirpe e acredito que a nossa capacidade de avaliação naquela altura deve ter ficado afetada pela alegria alcoólica do nosso banquete vínico. Provavelmente foi por causa disto que alguns preferiram outros tintos da noite a este, e outros ficaram indiferentes, mas em minha opinião foi certamente um vinho de outro nível, primando pela finesse.

O rótulo dispensa qualquer apresentação sendo simplesmente o mais badalado tinto da América Latina, fruto de uma joint-venture entre as duas gigantes Concha y Toro e Baron Philippe de Rothschild iniciada em 1997 para criar um ícone chileno com as características de um Grand Cru de Bordeaux.

O corte, de inspiração bordalês, tem maior ênfase no terroir chileno, portanto com predominância de  Cabernet Sauvignon e Carmenere, procedentes de vinhedos de Puente Alto e Peumo (de onde vem os ícones da CYT Don Melchor e Carmin de Peumo). O estágio de 18 meses em carvalho francês se divide em 10 meses de barricas novas e 8 meses de barricas de 2° uso.

Embora tenha ainda uns 15 ou mais anos de vida pela frente, o vinho está já ótimo agora. Extraído na cor e intenso no nariz, entregou aromas de ameixas, cassis, alcaçuz e ervas. No palato corpo médio, boa acidez, textura aveludada, e taninos domados. No conjunto, um vinho de muito equilíbrio e elegância, mas, francamente, não chegou a emocionar. Não sei se minha avaliação foi também afetada pelas questões acima citadas, mas o achei pouco expressivo: tudo no lugar certo e em perfeita harmonia, mas não empolgou. Faltou aquele algo inexplicável que faz pular a minha avaliação de ** a ***, de marcante a memorável. E ademais considerando o alto preço da garrafa, pois existem outros vinhos chilenos de igual ou superior qualidade, mas bem mais em conta.

Enfim, um belíssimo vinho, mas ainda longe de ser o Mouton do Chile. 

Vinho:
Almaviva
Safra:
2007
Produtor:
Viña Almaviva (Concha Y Toro & Baron Philippe de Rothschild
País:
Chile
Região:
Maipo
Uvas:
Cabernet Sauvignon: 64%
Carménère: 28%
Cabernet Franc: 7%
Merlot: 1%
Alcoól (Vol.)
14,5%
Importadora
CYT
Preço médio
R$ 800
Avaliação internacional
RP93; WS93
Avaliação MV
** (marcante)

A nossa garrafa

9 comentários:

  1. Mais uma vez concordo com sua avaliação e razoabilidade da suas ponderações. Talvez o vinho tenha sido prejudicado por ter sido servido depois de outros, mas como sou um confesso apreciador de vinhos chilenos, conheço algumas particularidades do Almaviva. Até agora o único que me impressionou foi o 2001. Até ai nada demais porque todos os Cabernets chilenos de 2001 que abri foram simplesmente espetaculares. Ou seja, espetacular foi essa safra cujos vinhos estão entrando no auge, assim como 1999. A questão que envolve o Almaviva é a de que apesar de chileno (Novo Mundo), não é um vinho tão fácil de apreciar. Melhor dizendo: haja paciência, há que esperar no mínimo dez anos ou mais para poder desfrutar corretamente de uma caríssima garrafa (sim há um marketing forte em torno dele que conseguiu lhe agregar um valor muito maior do que realmente vale, mas não deixa de ser um grande vinho na minha singela opinião). Mas reitero que o contexto em que foi bebido pode tê-lo prejudicado. O melhor é sempre abrir perto dos dez anos. Eu mesmo farei isso em 2015 porque tenho um 2004 e quero ver se vai me arrancar suspiros. Uma coisa posso te dizer:é um vinho muito longevo, cujo tempo na garrafa joga a seu favor. Contra mesmo somente seu preço. Mesmo assim aqui em SP esgota rapidamente em algumas lojas. Por fim Feliz Ano Novo!

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    1. Jeriel,
      Fico contente que concordou com minhas considerações e agradeço seu acréscimo. Tenho um 2006 em minha adega, vou tentar esperar mais um tempo (embora eu seja um notório infanticida de vinhos, pois não tenho paciência para esperar e ja matei varias garrafa em plena juventude).
      Obrigado pela sua contribuição e um feliz e prospero 2015 repleto de grandes brindes.
      Abraco!

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  2. Olá Mario,
    Este é um vinho que não entra na minha cesta. Todos os que eu bebi foram ofertas de amigos (fiquei feliz, claro!). Apesar de achá-lo um bom vinho, muito bem feito e com grande potencial de envelhecimento, seu preço é proibitivo. Como a mesma grana compro um Barolão (dos bons...), boa comida e ainda sobra grana para um belo branco para acompanhar as entradas...rs.
    Grande abraço e Feliz 2015!
    Flavio

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    1. Ahahaha, não tenho como discordar de você, meu amigo! O que tenho aqui foi comprado no exterior, mas se for para gastar esta grana aqui eu sigo o seu mesmo raciocínio ;-)
      Um 2015 de grandes sucessos brindado com grandes vinhos!
      Forte abraco!

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  3. Olá feliz 2015!
    Conheci teu blog a pouco, e estou consumindo seu conteúdo vorazmente, parabéns pelas excelentes matérias.
    Aproveitando o gancho dos Chilenos da CYT, tenho um Don Melchor 2009, quando será que estará pronto?
    Grande abraço e muitas garrafas de 100 pts em 2015...
    Lairton
    Florianópolis

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    1. Olá Lairton,
      Muito obrigado pelo seu comentário, fico feliz que esteja gostando do blog.
      Respondendo sua pergunta, o Don Melchor é um vinho de guarda, mas feito para poder ser desfrutado já desde mais jovem. Provei um 2009 em outubro e estava já pronto para consumo, embora vai evoluir ainda bem durante os próximos 10 anos.
      Acredito que daqui a uns 2-3 anos estará no ponto, mas se não tiver paciência (como eu), dependendo da ocasião, pode abri-lo tranquilamente já ao longo deste ano.
      Obrigado e um 2015 de grandes brindes!
      Abraço

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    2. obrigado pela resposta, ja estou tentado a abrir...
      Lairton

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  4. Avaliação precisa. Sugiro provar o EPU, segunda linha da Almaviva, mas que poderia ser primeira linha de qualquer vinícola. E o custo é permissivo, fazendo dele uma opção melhor que o ícone. ABS. Fábio

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    1. Olá Fábio. Ouvi falar muito bem do EPU e esta sua observação sobre preço/qualidade é bem comum entre os que já o provaram. Pessoalmente nunca tive a oportunidade, mas espero corrigir o erro em breve.
      Obrigado pelo seu comentário!
      Abraço

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