quinta-feira, 25 de julho de 2013

Veja como foi o Grandi Marchi 2013

Semana passada participei de mais um grande evento e, tratando-se de vinhos da minha terra, foi duplamente bem-vindo. O Istituto del Vino di Qualità - Grandi Marchi é um time de produtores top da Itália que se uniram para mostrar ao mundo a qualidade das próprias produções. O instituto é presidido pelo marquês Piero Antinori e 19 dos maiores produtores do País, de norte a sul, fazem parte do grupo, sendo: Alois Lageder, Ambrogio e Giovanni Folonari Tenute, Antinori, Argiolas, Biondi Santi Tenuta Greppo, Ca’ del Bosco, Carpenè Malvolti, Donnafugata, Gaja, Jermann, Lungarotti, Masi, Mastroberardino, Michele Chiarlo, Pio Cesare, Rivera, Tasca d’Almerita, Tenuta San Guido, Umani Ronchi.
Esta edição que passou pelo Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) teve alguns desfalques, totalizando 11 vinícolas participantes; mesmo assim ninguém ficou muito chateado pela ausência dos outros, pois ficamos em companhia de grandes vinhos.
A etapa carioca aconteceu no celebérrimo Copacabana Palace e seus lindos salões. O evento foi muito bem organizado, com taças à vontade, serviço célere e boas comidas para acompanhar. O único defeito foi que em breve os amplos espaços ficaram apertados demais pelo desproporcionado número de convidados, que tornava árdua a tarefa de conseguir um gole de uma garrafa qualquer, e praticamente impossível conversar com os produtores.
Meno male que o melhor do evento aconteceu antes do evento. Numa sala reservada os 11 produtores apresentaram para um grupo de profissionais do setor um de seus vinhos, durante uma Master Class conduzida pelo Marcelo Copello: foi ali, com o devido tempo e conforto, que podemos realmente avaliar e apreciar estas beldades engarrafadas.
Vamos aos 11 vinhos:

1) Começamos com um espumante: 1868 Brut – Prosecco Superiore DOCG da vinícola Carpenè Malvolti. Procedente de Conegliano,Valdobbiadene é (obviamente) um monovarietal 100% Glera. Um espumante alegre, fresco, cremoso e macio.

2) A seguir, meu amigo Nicola Massa apresentou um belo vinho da Sicília: o Tascante 2009, da Tasca d’Almerita. Embora a vinícola seja famosa pela produção de Nero d’Avola em Regaleali, o Nicola teve a ótima intuição de apresentar algo diferente, um tinto que nasce nas encostas do vulcão Etna. Este terroir é frequentemente comparado a Borgonha e a uva autóctone Nerello Mascalese à Pinot Noir. De fato o vinho lembra algo similar e  é muito interessante: profundo e delicado com acidez vibrante e taninos muito bem trabalhados. 

3) Da Puglia, a vinícola Rivera mostrou o caráter bem distinto de seu Il Falcone 2007, corte de Nero di Troia e Montepulciano. O vinho tem grande estrutura e complexidade, juntando na medida certa modernidade e boa fruta com rusticidade e presença de taninos.



4) A Umani Ronchi trouxe o Pélago 2008, um interessante tinto picante e salgado, corte de Cabernet Sauvignon, Montepulciano e Merlot da região de Marche.



5) O supertoscano Guado al Tasso é um dos ícones da produção do célebre Antinori, da Toscana e de toda a Itália. Este 2009 é sim um vinhaço, mas não impressionou particularmente, talvez jovem demais. O corte é tipicamente bordoles (cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e uma pitada de petit verdot), com grande estrutura e potencial de guarda.


6) Pessoalmente não conhecia ainda a Tenute Folonari e seu vinho foi uma grata surpresa. Merlot quase em pureza (90%) e o restante entre Cabernet Franc e Petit Verdot, o Baia al Vento 2008 é um supertoscano de primeira da área de Bolgheri. O vinho é uma delicia: suculento, aveludado com diferentes aromas balsâmicos, e umas notas de evolução.
 
7) Masi é o rei do Amarone, mas meu outro amigo Vincenzo Protti também teve a boa sacada de mostrar um vinho diferente: o Grandarella. Corte bem atípico de Refosco com Carmenère, parcialmente passificadas. Os aromas são de café muito intenso, tabaco e notas defumadas e tostadas. Na boca confirma a mesma sensação. Um tinto bem distinto dos outros, para sair do usual.


8) Michele Chiarlo trouxe um belissimo Barolo. Especificamente o Barolo Cerequio 2007. Muito delicado, mostrou finesse, estrutura, boa fruta, grande complexidade e taninos levigados. Muito mais pronto de um mesmo rótulo recentemente provado da safra clássica de 2006.


9) O Barolo do Pio Cesare ficou somente um pequeno step atrás, com fruta generosa, textura fine e taninos macios, só perdeu um pouco talvez em acidez e elegância.


10) O último tinto provado foi o meu favorito de todo o painel, mas sou certamente suspeito, pois é um vinho da minha região e do produtor com que praticamente fui criado e iniciado ao mundo do vinho. Mastroberardino é indiscutivelmente o maior produtor da Campania, seus vinhos são perfeitos para gastronomia e este Radici Taurasi Riserva é talvez um dos melhores vinhos da Itália inteira, tendo já ganho o titulo de vinho do ano pelo guia Gambero Rosso. Monovarietal 100% aglianico, este 2006 é aristocrático e elegante, mas ao mesmo tempo impressiona pela estrutura e camadas de complexidade.
11) O vinho apresentado pela siciliana Donnfugata é um hors-concours, pois o Bem Ryè é um vinho doce, um espetacular vinho de sobremesa obtido com a passificação das uvas Zibibbo procedentes da ilha de Pantelleria (daí a denominação protegida Passito di Pantelleria). Considerado um dos melhores vinhos doces da Itália e do mundo, este 2009 me encantou sobretudo pelos aromas ao ponto que quase não conseguia tirar o nariz da taça. O cheiro de “mar”, salgado, mineral, junto a fruta cítrica em compota e fruta seca é sensacional. Na boca a doçura nada enjoativa é equilibrada por grande acidez. Com certeza deixa vários Sauternes e Tokaji no chinelo, custando bem menos. 


O mapa vinícola do Grandi Marchi
Master Class
Ready to go
O salão da degustação principal antes da lotação
Nada a ver com vinho, mas a piscina do Copacabana Palace é um ícone também



9 comentários:

  1. Seu comentário foi muito bom,mas vale comentar os Barolos Ornato 2007 e 2008 oferecidos pela Pio Cesare e o maravilhoso Brunello Pian delle Vigne além dos citados na Master Class da qual , felizmente, desfrutamos....um abraço.
    Antônio Meirelles

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza caro Antônio! Eu ressaltei estes, mas os outros vinhos que não participaram da master class foram todos excelentes.
      Grande abraço!

      Excluir
  2. Grande Mario!
    Aqui nem tem o que comentar, só babar...rs. Vinhaços! Bela postagem!
    Abraços,
    Flavio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Flavio!
      Mas vc não participou do evento em Sampa?

      Excluir
    2. Oi Mario,
      Infelizmente não pude ir. Doeu o coração...rs. Bem, fica para o ano que vem.
      Abraços,
      Flavio

      Excluir
  3. Olá Mario,
    Deixa-me abusar de sua bondade: Você conhece boas lojas de vinho em Bologna? Tem um amigo indo para lá na próxima semana (coitado...rs) e já me ofereceu trazer umas bottiglie. Não posso recusar...rs.
    Grande abraço,
    Flavio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Flavio,
      Faz muito tempo mesmo que não vou para Bologna, até então a loja mais conhecida era a Enoteca Italiana (este é o site: www.enotecaitaliana.it), hoje deve haver muitas lojas talvez até melhores, mas acredito que a primeira continue sendo uma boa escolha.
      Espero ter ajudado.
      Abraço!

      Excluir
    2. Obrigado, Mario!
      Eu vi o site deles. Acredito que deve haver exemplares que eles têm apenas na loja e não apareçam no site. Vou passar uma lista para meu amigo ou então escrever para a enoteca perguntando sobre alguns rótulos.
      Grande abraço,
      Flavio

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...