quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um tinto monumental


Falar de um vinho sobre o qual já foi dito tudo fica difícil e o risco de ser redundante é elevado, pois estamos na frente de um monumento da enologia mundial.

Angelo Gaja é uma das maiores personalidades do mundo do vinho, o “indiscutível rei do Barbaresco” e um dos artífices da revolução do vinho italiano; o homem que graças a novas técnicas (veja o "post-post" abaixo) lançou o Piemonte no Olímpio das mais badaladas regiões vinícolas do mundo. Hoje em dia seus Barbarescos são vinhos colecionáveis, considerados status symbol ao par dos grandes ícones franceses.

Embora seus Barbarescos single vineyards Sorì San Lorenzo e Sorì Tildin sejam os tops da casa, o mais emblemático rótulo da vinícola é o Barbaresco “básico” (notar as aspas), verdadeiro símbolo da marca Gaja.

Eu estava guardando esta meia garrafa de safra 2001 há alguns anos em minha adega e como tinha um potinho de molho de trufas moídas para experimentar resolvi fazer uma rápida refeição tipicamente piemontesa, com bruschette al tartufo e este típico e glorioso vinho da região. 
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Este Barbaresco é um D.O.C.G., nebbiolo 100%, com uvas selecionadas de 14 vinhedos de propriedade em Langhe. Estagia 12 meses em barricas francesas e mais 12 em grandes tonéis de carvalho de Eslavônia,  completando a maturação com um longo afinamento em garrafa.

A safra de 2001 foi de 5 estrelas, e realmente o vinho foi espetacular tanto nos aromas quanto no paladar. Em plena forma com seus 11 anos de vida, tem estrutura para agüentar tranquilamente mais duas décadas.  Camadas de ameixas, alcaçuz, café, tabaco e notas minerais. Na boca é extremamente elegante, de bom volume mas delicado, acidez perfeita, taninos sedosos e longuíssima persistência.

Monumental.

Voto gringo: 9

Importado pela Mistral. Esta safra de 2001 já é uma raridade; a meia garrafa da 2008 custa na importadora R$ 465,00; a inteira sai por R$ 953,00.

Post-post
O Ângelo Gaja introduziu na década de 1960 algumas inovações que de fato revolucionaram o jeito de produzir vinho na Itália. Entre elas a técnica do diradamento ou “poda verde” (com a qual os cachos em excesso são cortados das videiras para diminuir o rendimento e conseqüentemente aumentar concentração e qualidade).
Foi também o primeiro a fazer fermentação maloláctica  no Piemonte (processo que transforma o ácido de málico em lático, tornado o liquido mais macio ao paladar).
Quanto à maturação, também inovou com o processo de duplo afinamento em carvalho, primeiramente em barricas pequenas e depois em tonéis grandes.
E terminando no sistema de fechamento das garrafas, foi uns dos primeiro a usar rolhas de cortiça mono-peça bem compridas, mais resistentes ao tempo, permitindo uma melhor micro-oxigenação. 

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