terça-feira, 17 de maio de 2011

Caiu outro mito? O querosene no riesling agora é defeito

Em um recente “encontro harmonizado” (como costumo definir os encontros entre amigos enófilos onde cada um leva a própria garrafa) a amiga Isabelle extraiu de sua adega um riesling australiano da Wakefield que se tornou protagonista de um aceso debate: o tal aroma de querosene.
Agora, vale lembrar, este tipo de aroma da família dos hidrocarbonetos, é comum, sobretudo em uns rieslings envelhecidos da região alemã do Reno.
Mas este vinho não era nem envelhecido nem alemão...enfim, o debate continuou sem uma unanimidade (estava com defeito ou não?), fato é que o aroma de petróleo era bem forte e chegou a incomodar; mas a mesma sensação desagradavel não se confirmava na boca.

Recentemente encontrei esta declaração do Chapoutier (um dos maiores produtores da França), que afirma que o aroma de querosene típico do riesling não é sua característica típica, mas um defeito de vinificação, devido à prensagem. 

Será? Caiu um outro mito? Fala-se que uns “fedorzinhos” no vinho são sintomas de qualidade, mas neste ponto será que os celebrados aromas animais, selvagem, de fazenda, de couro, de pimentão, de anchova, e o celebérrimo xixi de gato são todos defeitos?

Possível objeção n.1: o Chapotier não sabe do que fala, os produtores de vinho não entendem nada de vinho (dos outros), pois a maioria só bebe o vinho que ele mesmo produz. E ainda mais os franceses, que nem sabem que a Alemanha produz ótimos vinhos!
Possível objeção n.2: então centenas de riesling estão todos com defeito? Como é possível que isso venha acontecendo há décadas?

Observações até justas e para se levar em conta. Mas não vamos esquecer que o tipicissimo aroma de cavalo molhado, considerado até uns anos atrás como característico de uns tintos importantes, hoje é definido como um defeito causado por excesso da levedura Brettanomyces.

Enfim, como estão vendo, no mundo do vinho nada é o que parece e nada é certo até prova contrária.

Na minha modesta opinião, todos estes aromas podem ser interessantes e mostrar a tipicidade do vinho, se não forem excessivos e ficarem em harmonia com o conjunto. Quando os aromas terciários são equilibrados o vinho é bom. Simples assim.


6 comentários:

  1. Grande Mario, mais um ótimo post.

    Fico com a segunda objeção...acho muito difícil ser um defeito, já que todas as descrições que vejo de conhecedores (renomados)sobre o assunto remetem ao especifico aroma...tipicidade...

    Abs e saúde

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  2. Obrigado Silvestre,
    Eu também ficaria com a segunda objeção, vamos ver se esta do Chapotier vai convencer até os enólogos...De qualquer forma, como disse, se for equilibrado o aroma é bem-vindo, já para o vinho da Wakefield que citei parecia estar em um posto de gasolina...!
    Obrigado por visitar e comentar.
    Um grande abraço!

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  3. Interesting Interview of Michel Chapoutier http://tinyurl.com/62k9py7

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  4. Dear Guillaume,
    That definitely made it clearer. Thanks for reporting the issue.
    And thank u so much for visiting.
    Cheers!

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  5. Olá Mario,

    Interessante assunto. Talvez o costume e nosso histórico de paladar podem fazer associarmos algo positivo com vinhos que tecnicamente hoje em dia sejam considerados defeituosos. Um leve brett é considerado como algo interessante por alguns e como um defeito por outros.

    Na verdade ele estava se referindo só aos dominantes aromas de petróleo no riesling jovem, não os toques que aparecem com o tempo em um grande riesling da Alemanha (mas ele deve considerar o jovem riesling de Wakefield teve um certo defeito).

    Se entendo bem, as uvas riesling que recebem muito calor e sol, e amadurecendo rapidamente, desenvolvem mais carotenóide e potencial para aromas de petróleo como jovem. Aparentemente especialmente uvas queimadas desenvolvem o pigmento carotenóide em cores amarelo e laranja. Em regiões mais frias e com modernas maneiras de trabalhar no vinhedo, cuidando que as uvas fiquem amadurecendo lentamente, tem menos disso antes de ser prensado.

    Um abraço
    Ulf

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  6. Verdade Ulf, inclusive a matéria linkada no comentário acima explica mais claramente a visão do Chapoutier.
    Você acertou em cheio e foi ainda mais fundo.
    Agora o da Wakefield pessoalmente também aponto como defeito, pois realmente era muito forte. Espero que seja da garrafa em si, pois se o vinho for realmente assim, nao vai emplacar por aqui...
    Obrigado pelo seu erudito comentário.
    Grande abraço!

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