segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Conheça o primeiro vinho italiano de 100 pontos Robert Parker

A história da vinícola Tua Rita é peculiar, tendo seu sucesso nascido quase por mero acaso: quando em 1984 Rita e Virgilio adquiriram a propriedade no meio da Maremma Toscana, a idéia era apenas viver em contato com a natureza, cultivando na própria terra frutas e verduras para as necessidades familiares. Mas a paixão pelo o vinho falou mais alto: a partir de uma vinha de 2 hectares (cuja produção  colocou logo a Tua Rita no topo dos produtores de garagem) o casal foi adquirindo mais terrenos até chegar aos 30 hectares atuais. E hoje a vinícola é uma das mais badaladas do mundo inteiro.

Seu Redigaffi faz parte da tríade de merlot supertoscanos (junto com o Castello di Ama L’Apparita e o Le Macchiole Messorio) que são freqüentemente comparados ao Petrus, mas custando 10 vezes menos. Foi o primeiro vinho italiano a obter os cobiçados 100 pontos pelo Robert Parker*, na safra de 2000 e fica constantemente nos leilões de vinho mais importantes do mundo, de Christie’s a Sotheby’s. O rótulo inclusive também faz parte do índex da Liv-Ex, a Bolsa de Vinhos de Londres.

Redigaffi é o nome de um riacho que passa perto de um vinhedo de solo argiloso, conduzido de maneira orgânica. O vinho faz afinamento por 18-20 meses em barricas francesas de primeiro uso e é produzido em 10mil garrafas.

Quem me conhece sabe da minha idiossincrasia com Parker e afins, mas de vez em quando na nossa turma de amigos enófilos brincamos de ‘’vinho ostentação’’ e este era um vinho dos mais comentados, por isso voltando de minha última viagem á Itália trouxe na mala um 2009. Nada barato tampouco por lá: paguei 220 euros (outras safras eram bem mais caras), mas aqui estaria custando mais de R$ 2mil, portanto continua valendo.

Já tinha provado um excelente 2006 alguns anos atrás e este 2009 ficou no mesmo patamar. Bastante extraído na cor, tem um nariz de cereja, cassis e sous bois com folhas secas, terra úmida e musgo. Na boca é muito fino, de bom corpo, sedoso e volumoso. Grande equilíbrio entre boa acidez, madeira bem integrada e taninos numerosos, mas finos e maduros, para um final com notas frutadas de longa persistência.

Grande vinho, não há duvida, mas é inútil ressaltar que pra mim não vale quanto custa. Para brincar de vinho ostentação a garrafa cumpre bem seu papel (só em ver o rótulo o pessoal ficou boquiaberto), mas mesmo ele custando 10 vezes menos que o Petrus, eu compro outros merlots italianos melhores e 10 vezes mais baratos que este.


* Vale ressaltar que quem fazia as avaliações de vinhos italianos pela Wine’s Advocate na época era o Antonio Galloni (hoje seguindo carreira solo com Vinous), que sempre me pareceu a pessoa de gostos mais finos de todo o time.


A vinícola Tua Rita

6 comentários:

  1. O Redegaffi é um dos 10 melhores que eu já tomei. Eu tomei 2006 e 2009 , raramente divirjo do relator, mas no caso desse vinho, é um dos que eu acredito valer cada centavo pago por ele. Saúde para o melhor que nós temos. Tom

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  2. Grande Tom, fico feliz com seu comentário e afinal você sabe que trouxe este vinho sobretudo sabendo que é um dos seus favoritos.
    Mas continuo achando que não vale quanto custa e vou te explicar simplesmente o porquê: antes de ganhar 100/100 ele ficava na faixa de 60-80 euros. Hoje, depois disso, eu até entendo o aumento, mas acho que valeria uns 150 no máximo (que inclusive é o preço médio dos outros 2 competitors citados no post - sendo que o Messorio também ganhou 100 pontos, mas pela WS). Mas tenho visto lá algumas safras do Redigaffi passarem dos 300 euro...Totalmente over-price pra mim.
    De qualquer forma o que importa é que o bebemos e brindamos em alegria. Saude!

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  3. Grande Mario!

    Faz tempo que não comento por aqui, hein? Mas em se tratando desses grandes Merlot que você cita, não poderia deixar de comentar. Eu nunca bebi prá valer um desses que você cita, mas já apreciei em degustações. Todos belíssimos! O Redigaffi é um vinhaço! Mas também acho muito caro. Permita-me incluir nesse seu belo trio um outro que custa mais barato e que já foi comparado com Petrus e Le Pin: Galatrona! Este já bebi prá valer, safras diferentes, taças generosas e acompanhando a evolução do danado. É um belíssimo Merlot, e que custa mais barato que os 3 conterrâneos. E obviamente, muito mais barato que o rei Petrus...rs.

    De qualquer forma, sua postagem trata de "cachorros grandes"... Impossível não ficar feliz com qualquer um deles.

    Grande abraço,

    Flavio

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    1. Grande Flavio! Saudade sua! De fato eu também estou te devendo uma visita, por outro lado estou postando muito pouco...muito corrido.
      Ainda não provei o Galatrona (Petrolo, né?), boa dica, vou deixar anotado aqui.
      Forte abraço e até logo!

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  4. Como colecionador de vinhos, peço perdão, mas devo retrucar algumas informações em seu artigo:
    - "primeiro vinho italiano de 100 pontos Robert Parker" - vários vinhos italianos já tiveram 100 pontos parker - Tenuta San Guido Sassicaia, também da Toscana – 1985, Bruno Giacosa Barolo Riserva Collina Rionda, Barolo – 1989...
    - "Redigaffi faz parte da tríade de merlot supertoscanos (junto com o Castello di Ama L’Apparita e o Le Macchiole Messorio) que são freqüentemente comparados ao Petrus" - Todos os supracitados são excelentes vinhos Merlot. Entretanto, o Petrus italiano e um dos mais caros (acima de 1.000,00 EUR) é o Masseto (dou destaque para duas safras - 2001 e 2006).
    Concordo quando diz que não vale quanto custa. Se procurarmos, podemos achar vinhos bem melhores e mais baratos. Algumas vinícolas não têm capital suficiente para a promoção de seus vinhos em concursos, revistas e, muitas vezes, a exportação para os EUA é muito difícil, tornando grandes vinhos ocultos ao " maravilhoso paladar da WINE ADVOCATE".

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  5. Caro amigo,
    Agradeço muito seu retruque, mas eu não falei que o Redigaffi fói o "único" vinho italiano de 100RP, e sim que foi o "primeiro". Eu sei bem destes que você citou (inclusive além destes tem mais, como o Monfortino 2004 de Giacomo Conterno, o Montevertine Le Pergole Torte 1990, o Casanova di Neri Tenuta Nuova 2010, o Marroneto Madonna delle Grazie..), mas para todos eles a pontuação foi dada em anos seguintes, em degustações verticais.

    Quanto ao Masseto, eu estava esperando alguém comentar: o deixei deliberadamente de fora porque na frase que você copiou no seu comentário de forma incompleta eu fiz questão de ressaltar a tríade que custa 10 vezes menos que o Petrus; já o Masseto, como você justamente colocou, tem preço bem mais próximo (embora menor) ao seu concorrente francês.

    De qualquer forma agradeço muito seu comentário, que deu o gancho para esclarecer melhor e mostrar o preparo e competência dos meus leitores.

    Parabéns, e um abraço!

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