segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Luca Malbec X Kaiken Malbec Ultra: quem ganhou? O enjôo


Condenam-me, se quiser (tem todo direito), mas eu não consigo gostar mesmo de Malbec Argentino, ou pelo menos daqueles no clássico estilo mendoncino.
Na verdade quando me mudei para o Brasil os achei interessantes, principalmente por nunca ter provado (vocês sabem que no Velho Mundo só tomamos vinho do Velho Mundo) vinhos neste estilo “cheguei”, com tudo em cima. Mas, taça após taça, comecei a me desafeiçoar e desapegar. Claro que, como sempre digo, cada vinho tem seu momento, e não desprezo de vez em quando um Mendoza style, mas por linhas gerais este tipo de vinho não faz mesmo o meu estilo, pois o acho enjoativo e pouco apto para acompanhar comida.

Nesta semana voltei a um dos principais endereços para os enófilos cariocas, o restaurante Empório Santa Fé (muito bom, por sinal) e quis dar mais uma chance para os hermanos, fazendo questão em provar dois malbecs mendoncinos bem comentados e celebrados. O Luca Malbec e o Kaiken Ultra Malbec, ambos de safra 2009.

O primeiro, obra da celebrada Laura Catena, considerados por muitos uma referência  do gênero. O segundo, produzido pela famosa vinícola chilena Viña Montes em terras argentinas, já foi eleito pela revista Decanter o melhor malbec do País.

Sinceramente não achei diferenças significantes entre um e outro, a não ser o Luca mais complexo e estruturado. Mas de maneira geral as características principais estavam bem parecidas: cor escura impenetrável (o Kaiken, ainda mais, quase petróleo), aromas de fruta negra em compota, baton, baunilha, e ainda compota, compota, baunilha e baunilha. Na boca também compota, não somente no sabor, mas também na densidade (!), encorpados, fruta, madeira, álcool; com acidez abaixo do desejável, taninos macios e final adocicado.

São vinhos bons? São. Eu compraria? Não. Isto, como disse, conforme meu gosto pessoal, mas são rótulos que certamente recomendo para quem gosta do gênero. Inclusive os outros na mesa adoraram.

Mas pessoalmente da Argentina prefiro mais arriscar outras castas que não sejam malbec ou até com malbec em corte (por exemplo, da própria Luca gostei mais do Beso de Dante, que tem também cabernet sauvignon), ou de vinhos fora da região de Mendoza, como Salta e Patagônia.
Desta última, inclusive, provei logo há alguns dias um muito bom, que comentarei aqui em breve.

P.S. além das características citadas, os dois tem em comum até a importadora, a Vinci. 

9 comentários:

  1. Ultimamente tenho prestado atenção aos vinhos feitos com a Cabernet Sauvignon na Argentina, me parecem mais equilibrados que os Malbecs.

    Já tentou comparar?

    Excelente blog, continue com o bom trabalho.

    Abraços!

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    1. Com certeza, Victor, concordo plenamente: Cabernet Sauvignon e Bonarda são quase sempre escolhas melhores. Recentemente provei até um Cabernet Franc de Mendoza muito bem feito. Mas malbecs na maioria dos casos pra mim não dá, a não ser de Salta ou da Patagônia.
      De Mendoza, por enquanto só um malbec me agrada, confira: http://mondovinho.blogspot.com.br/2011/10/as-vezes-malbec-pode-ser-bom-tambem_12.html
      Obrigado pela visita e pelo seu gentil comentário.
      Grande abraço!

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  2. Carissimo,
    Concordo plenamente: Os Malbecs de Salta não enjoam tanto(os Colomé são muito bons!). O Cabernet Franc Pulenta XI também é muito bom! Não tem o frescor de um proveniente do Loire, mas não é enjoativo com a maioria dos Malbecs. Dia desses tomei um Malbec orgânico, sem estágio em madeira e sem sulfitos, da Familia Cecchin, bem diferente e agradável. Vale a experiência.
    Abraços,
    Flavio

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    1. Caro Flavio,
      Fico feliz que estamos em sintonia. Gosto dos Colomé, embora pra mim ainda um pouco robusto demais (afinal os donos são americanos, fazer o que...), inclusive já escrevi a respeito, confira neste link: http://mondovinho.blogspot.com.br/2011/08/um-dos-melhores-tintos-da-argentina.html
      Não conheço o que vc falou da Familia Cecchin, vou correr atras. Sabe qual é a importadora?
      Obrigado!

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    2. Oi Mario,
      Infelizmente parece que ainda não há importadora para o Brasil. O que bebi foi trazido da Argentina. Veja um artigo legal sobre os vinhos do produtor: http://www.revistadivino.com.br/confraria-degustacao/16/artigo212046-1.asp
      Eu postei sobre o que bebi tempos atrás: http://vinhobao.blogspot.com.br/2012/04/familia-cecchin-2008-malbec-organico-e.html
      Abraços,
      Flavio

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    3. Que pena, parece bem interessante. Vou ver se alguém traz pra mim.
      Obrigado, grande abraço!

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  3. Oi, Mário!

    Por falar em Malbecs, você já chegou a tomar algum Malbec da Bodega Noemía? Em todas as fontes que eu tenho procurado, tenho lido que eles fazem ótimos vinhos. As críticas do J. Alberto 2008 foram especialmente boas, ainda mais levando em conta que não é um vinho absurdamente caro (ao menos não em comparação com os tops da bodega, o "Noemía" e o "2").

    Outra coisa curiosa é que a diferença entre o preço dele aqui no Brasil e nos EUA também não é gigantesca. Nos EUA ele custa por volta de 52 dólares (é o preço indicado na wine.com, http://www.wine.com/V6/Bodega-Noemia-de-Patagonia-J-Alberto-2008/wine/104424/detail.aspx). E na Vinci, custa 137 reais. Ou seja, acredito que este vinho esteja entre as melhores compras a se fazer aqui no Brasil (pelo menos em se tratando de argentinos).

    Abraço,
    Rubão

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    Respostas
    1. Rubão,
      Da Noemía tenho tomado recentemente o A Lisa, uma boa compra também (menos de R$100). O J. Alberto deve ser melhor ainda, também sou curioso de provar.
      Em breve publicarei a matéria sobre o A Lisa.
      Obrigado por visitar e comentar.
      Grande Abraço!

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  4. Tomei o A lisa 2008 e 2009 e não é bom.O Noemia é maravilhoso, padrão nicolas.
    Edson

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