terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um dos melhores tintos chilenos já provados


Hoje em dia o Chile está repleto de investimentos estrangeiros: renomeados produtores franceses, americanos, italianos já se instalaram aos pés da Crodilheira, mas foi a vinícola espanhola Miguel Torres a primeira a apostar no terroir chileno, em 1979, quando comprou uns vinhedos no vale de Curicò.

O Manso de Velasco é uma de suas máximas expressões e um dos mais comentados e pontuados vinhos chilenos (o guia Descorchados o elegeu melhor tinto chileno em 2010): um cabernet sauvignon em pureza, de vinhas centenárias, que sempre tive curiosidade em provar. A curiosidade aumentou mais ainda com os relatos do amigo Daniel Perches (Vinhos de Corte) que o achou de cor clara e sem os aromas típicos dos cabernet chilenos, ao contrário dos comentários do outro amigo Silvestre Tavares (Vivendo a Vida) que o achou quase preto e com os clássicos aromas de fruta em compota e chocolate.

Então, como um exemplar de safra 2007 tinha recentemente aterrisado na minha adega diretamente de Santiago logo ha alguns dias, acelerei o processo de abertura da mesma, chamei uns amigos e levei o Manso para um dos meus restaurantes favoritos do Rio, o Galeria 1.618*.

De maneira geral a minha garrafa estava mais próxima à descrição do Silvestre que a do Daniel: cor rubi granada, quase impenetrável. Mas os aromas de fruta madura, café e chocolate estavam um pouco tímidos, mesmo depois de decantação. Na boca estava esperando aquela clássica pancada chilena, mas me surpreendeu pelo equilíbrio. É claro que as característica novomundistas estavam todas ali: corpo, volume, madeira (18 meses), textura sedosa, tanino redondo e final levemente adocicado. Mas todas numa boa medida e equilibradas por uma boa acidez.
Enfim, gostei bastante mesmo; embora não seja tão badalado como outros colegas ícones, pra mim fica no top5 dos chilenos que já degustei. Ainda harmonizou perfeitamente com a minha picanha de cordeiro acompanhada por batata dauphinoise.

Voto gringo: 9

*Propaganda espontânea e gratuita: o Galeria 1.618, no Leme, é o talvez o único exemplo de bistrot na sua categoria que não cobra rolha. A cozinha de inspiração francesa e mediterranea é ótima, o local é muito charmoso, e nos fins de semana tem musica ao vivo sem couvert artístico. O que querer mais?

Vinho:
Manso de Velasco
Safra:
2007
Produtor:
Miguel Torres
País:
Chile
Região:
Vale do Curicò
Uvas:
Cabernet Sauvignon (100%)
Alcoól (Vol.)
14%
Importadora:
Devinum
Custo médio:
R$ 230,00
Notas:
Wine Advocate (Robert Parker) 88; Wine Spectator 91; Descorchados 95; Wine Enthusiast 92



6 comentários:

  1. Caro Mario,
    Não bebi o 2007, mas o 2006 que apreciei tempos atrás me impressionou pela ótima qualidade. E pude apreciar mais de uma vez, pois na época compramos algumas garrafas entre amigos e todas estavam excelentes!
    Abraços,
    Flavio

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    Respostas
    1. Flavio,
      Obrigado pela sua contribuição.
      Grande abraço!

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  2. Respostas
    1. Mediamente na faixa dos R$230-250.
      Obrigado pela visita!

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  3. Que bom que estamos afinados meu amigo, saúde!

    Silvestre
    www.vivendoavida.net

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    Respostas
    1. Realmente, caro Silvestre!
      Acho que a garrafa do Daniel (e Alexandre) estava com defeito...
      Grande abraço, meu amigo!

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