segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O segundo do Cantemerle...será que é bom?


Entre nós: se a classificação oficial de Bordeaux de 1855 fosse escrita agora, o Château Cantemerle muito provavelmente ia ficar de fora. Desde então ela nunca foi modificada (menos que para a entrada “política” do Mouton) e, portanto alguns podem se gabar por virtudes que não tem mais enquanto outros reclamam da vida porque agora seu vinho é bem melhor que 200 anos atrás e não tem uma nova classificação para comprovar.

Pois bem, o Cantemerle pertence à primeira categoria, sendo um dos mais “fracos” dentro da prestigiada lista. Por contra mantém um preço acessível, portanto faz a felicidade de quem quer que esteja escrito Grand Cru Classé no rótulo independentemente do conteúdo da garrafa. Não me entenda mal: a vinícola faz um ótimo trabalho e os vinhos de fato são bons, mas estar na mesma categoria que Lynch-Bages ou Pontet-Canet é covardia (5º cru)

Enfim. O Château Cantemerle fica na abrangente apellation de Haut-Médoc, especificamente no vilarejo de Macau.

Provei algumas vezes o top da casa e, apesar de bom, nunca me empolgou, por isto não tinha muitas expectativas para o irmãozinho, mais ainda sendo de safra difícil. Mas não é que me surpreendeu?


O Les Allées de Cantemerle 2013 foi produzido em 160mil garrafas, apenas com Cabernet Sauvignon e Merlot (enquanto em outras safras podem entrar também Cabernet Franc e Petit Verdot) das vinhas mais jovens da propriedade. Vinificação tradicional, mais estágio de 1 ano em barricas de carvalho.

O resultado foi um tinto muito fino. Nariz de ameixa, cereja, charuto, folhas secas, notas balsâmicas. Na boca ótima fruta, acidez excelente e taninos gostosos. Já pronto agora, ainda vai envelhecer bem por mais uma década. Chapéu 🎩

Em proporção vale muito mais este que o primeiro vinho (uns R$ 200 contra uns R$ 400).


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