sábado, 24 de maio de 2014

A minha TOP 10 do Encontro Mistral (desculpe o atraso!)

Entre uma coisa e outra quase esqueço de comentar aqui um dos eventos mais importantes do ano: o Encontro Mistral 2014. Participei, a convite da importadora, da edição carioca, que ocorreu no dia 8 de Maio no belo salão do Sofitel Rio, na praia de Copacabana. A organização se mostrou mais uma vez excelente, a partir da retirada da credencial na entrada até a entrega da mesma na saída. A quantidade dos participantes era bem proporcional ao espaço e dava para circular livremente pelas mesas de degustação e provar tranquilamente os vinhos desejados conversando com os produtores. Ainda havia uma enorme mesa de pães e petiscos  lindamente preparados para acompanhar os goles.
Mas de maneira geral, fiquei com a sensação de um evento sensivelmente reduzido em comparação as edições passadas, com menor quantidade de produtores presentes e nem todos com os vinhos tops. De qualquer forma o Encontro Mistral continua sendo um dos melhores (senão o melhor) eventos de vinhos do País.

Dos cerca 60 produtores presentes selecionei os meus Top 10, tendo em conta que numa tarde não dá naturalmente para provar tudo. Ademais, neste dia estava tomando antibiótico e mesmo cuspindo o líquido (como de meu costume em eventos do gênero), quis me policiar ainda mais, então provei realmente só o que me interessava.

Vamos lá (em ordem não de importância e sim casual)

- WEINGUT  BRÜNDLMAYER (Áustria)
Brancos sensacionais, como os Reislings e os Grüner Veltliner de vinhedo único. Inclusive, seu único tinto presente, o Zweigelt 2011, embora “simples”, foi um dos vinhos mais interessantes de toda a feira.


- JOSEPH DROUHIN (França)
Produtor tradicional da Borgonha trouxe uma linha de tirar o fôlego, dos Chablis aos villages Chambolle-Musigny e Gevrey-Chambertin e um Volnay Premier Cru. Pena que não tinha os tops mesmo. Em compensação trouxe uns exemplares de pinots que a vinícola produz no estado americano de Oregon (Cloudline), mas além da nota didática, a comparação nem vem ao caso.



- DOMAINE FAIVELEY (França)
Na mesma linha do anterior, e basicamente com as mesmas denominações:  talvez os vinhos sejam um pouco mais estruturados e “rústicos”, para indicar um aspecto mais austero e clássico. Sobre todos me encantou o Puligny-Montrachet 1er Cru Champ Gain 2008, complexo e elegante.


- CLOS MOGADOR (Espanha)
René Barbier, um dos enólogos/proprietários mais cultuados do mundo, talvez o maior responsável do sucesso dos vinhos do Priorato, estava ali presente no evento e tive o prazer de conversar com ele (inclusive pessoa muito simples e simpática). Trouxe uma “mini-vertical” de Clos Manyetes (2006 e 2011) e de seu ícone que da o nome à vinícola Clos Mogador (2010 e 2011), sendo em ambos os casos as safras mais antigas ainda um pouco fechadas e a mais novas já mais macias. De qualquer forma notáveis. 
- REMÍREZ DE GANUZA (Espanha)
Um dos produtores mais badalados de Rioja da atualidade. Seus vinhos entraram no gosto da imprensa internacional por serem muito extraídos e densos. O Remirez de Ganuza Gran Reserva 2004 recebeu os cobiçados 100 pontos pelo Robert Parker: provando o vinho não fiquei nada surpreso, pois faz exatamente seu estilo, mas não o meu. Moral mondovínica: um bom vinho, mas longe de merecer 100 pontos. De qualquer forma valeu a experiência.


- MASTROBERARDINO (Itália)
Sou suspeito, pois este e o meu produtor de adoção: a vinícola fica a 60km da minha casa em Napoli e praticamente fui criado com seus vinhos. Mesmo assim não me canso. A linha Radici é espetacular e o Taurasi Riserva é pra se beber de joelhos.

- CASTELLO DI AMA (Itália)
Consistentemente um dos melhores produtores da Toscana. Chianti Classico top e uma interessante novidade que não conhecia: o Haiku, supertoscano a base de cabernet franc, sangiovese e merlot, muito interessante, em estilo internacional. O L’Apparita dispensa comentários: tive a sorte de degustar este ícone algumas vezes nos últimos anos (inclusive desta mesa safra de 2008) e é sempre fenomenal: um dos poucos merlot do mundo capaz de competir com o Petrus.

- DOPFF AU MOULIN (França)
Fantásticos brancos da região da Alsácia. Os Rieslings bem secos e bastante minerais e um Gewürztraminer rico, complexo e encantador.
- BIONDI SANTI & CASTELLO DI MONTEPÒ (Itália)
Não podia deixar de falar do famoso “inventor” do Brunello di Montalcino e da minha amiga Valentina Gherardi, que é gerente de exportações da vinícola. A linha de supertoscanos como Schidione e Sassoalloro é de primeiríssima, mas Brunello é Brunello; e Il Greppo é “o” Brunello.

- MASI (Itália)
E falando em amigos, também não podia deixar de fora o meu amigo Vincenzo Protti, mas não pela questão da amizade e sim porque é representante de uma das melhores vinícolas da Itália. Apresentou-me uma agradável novidade: o Rosa dei Masi um rosé com base em Refosco parcialmente passificado. Referência em Amarone, o Costasera nunca desaponta; entre os outros a linha Campofiorin é muito gostosa, sendo o ORO uma versão mais complexa.




Gostaria também de citar os champagnes da Bollinger, muito frescos e típicos (não por acaso é o vinho do James Bond), os belos californianos de Paul Hobbs, intensos e ricos, e os espanhois Pesquera da Ribera del Duero, tempranillos frutados e amadeirados e os bem feitos vinhos do Luis Pato (sempre super-simpático), diferentes para quem quiser sair da mesmice dentro dos portugueses. 

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