terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Já provou um Orange Wine? Veja aqui o mais emblemático

Você conhece os vinhos laranjas? Não são vinhos que emprestaram o nome para fraudes ou negócios suspeitos, mas vinhos de coloração mais o menos alaranjada. Conhecidos justamente como Orange Wines, eles lembram na cor vinhos de sobremesa, tipo passito, mas de fato se trata de brancos submetidos a maceração com as cascas, da mesma forma que acontece para os vinhos tintos. Depois, envelhecendo, a cor vai pegando uma tonalidade mais âmbar.

O nome mais importante para esta “categoria” e fundador desta tendência, é o Josko Gravner, viticultor esloveno que opera na região italiana de Friuli-Venezia Giulia - na verdade seus vinhedos se estendem quase igualmente ao longo dos dois lados da fronteira da Itália com a Eslovênia. Gravner se tornou talvez o produtor europeu mais admirado e ao mesmo tempo mais criticado da atualidade, isto por causa da sua vinificação quase totalmente natural, com práticas ecológicas e biodinâmicas levadas quase ao estremo, junto com antigos métodos de maturação do vinho: em ânforas de barro. Apontada por muitos como inovadora e revolucionária, a técnica de fato vem praticamente da época da invenção do vinho, trazida da região do Cáucaso e depois seguida pelos Romanos. O Gravner simplesmente propõe novamente o vinho da maneira que era produzido milênios atrás.

A vinícola produz 4 vinhos, sendo 2 tintos e 2 brancos, mas seu rótulo mais representativo é sem dúvida o branco Anfora Ribolla Gialla, de grande complexidade e longevidade. O vinho é fermentado por cerca de um ano em ânforas de terracota sem controle de temperatura e sem nenhum aditivo; depois é maturado em grandes tonéis de carvalho por 4 anos e engarrafado sem clarificação ou filtração, na lua minguante.

Recentemente apresentei um 2005 a uns amigos. O vinho é do gênero Love it or Hate it, pois é certamente o vinho branco mais diferente de todos que você já provou (e que ainda vai provar). A cor é um laranja escuro, quase âmbar; no nariz a laranja também é evidente, com notas de mel, manteiga e fruta cristalizada. Na boca é muito delicado, levemente salgado, mas com algo lembrando um tinto, com leves taninos procedentes da longa maceração. Inclusive apresenta bastantes sedimentos (branco com borra!) e recomendo decantação. Acidez vibrante e álcool abaixo da média (12%). Ainda tem muitos anos de vida pela frente.

Um vinho único, sui generis (como justamente os romanos diriam). Divide opiniões. Pessoalmente gostei bastante, talvez não faça exatamente meu estilo preferido, mas o adorei justamente pela singularidade: como já disse em mais de uma ocasião, nesta fase de globalização do gosto, a diversidade de um vinho é o que mais me encanta. E se você se define enófilo, este é um vinho que deveria provar. Pena que o preço torne o exercício bastante espinhoso.

Vinho:
Anfora – Ribolla Gialla
Safra:
2005
Produtor:
Josko Gravner
País:
Itália
Região:
Friuli-Venezia Giulia
Uvas:
Ribolla Gialla (100%)
Alcoól (Vol.)
12%
Importadora:
Decanter
Custo médio:
R$ 435,00
Notas:
RP 94; WS 90


O nosso exemplar de 2005

4 comentários:

  1. Caro Mario,
    Tenho uma garrafa deste danado na adega, esperando a hora...rs. Pela sua descrição, vou gostar dele.
    Abraços,
    Flavio

    Ps. Mas como você comentou, o preço dele é espinhoso, né? Eu comprei com um bom desconto, mas mesmo assim...

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    Respostas
    1. Pois é, Flavio. Até entendo que o cara ficou com o vinho na casa por 5 anos antes de por a venda, mas mesmo assim é um preço proibitivo. De qualquer forma tem que provar sim, mas deixa decantar um pouco. Depois me fale o que achou.
      Grande abraço!

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  2. E os laranjas brasileiros? Saúde, Mário!

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    Respostas
    1. Os laranjas brasileiros são bem interessantes, gosto muito os da Lizete Vicari e os da Era dos Ventos

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