quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Degustando o ícone Seña na Sherry-Lehmann

Se você for à Nova York, uma visita à Sherry-Lehmann se torna meio que obrigatória. A loja não é a maior, nem a mais bonita da cidade, mas aquela esquina entre a rua 59 e a Park Avenue se tornou uma referência quando o assunto é vinhos de alta gama, abastecendo as adegas dos executivos de Midtown Manhattan desde 1934. A coisa interessante é que quase todo dia tem uma degustação de graça, e, rodeando pelas prateleiras, não é raro se deparar em um atendente te oferecendo uma taça de um grande vinho. Foi o meu caso: na última vez que estive ali, há 3 semanas, estava rolando uma free tasting de Arboleda e Seña. As duas vinícolas pertencem ao Eduardo Chadwick (Errazuriz, Caliterra, Viñedo Chadwick), verdadeiro Rei Midas vínico. 



Da Arboleda degustei o Sauvignon Blanc 2011, muito intrigante, fresco, mas ao mesmo tempo envolvente, com notas cítricas e minerais e boa complexidade regada por alta acidez. 
A seguir, da mesma vinícola, o Carmenere 2010, um pouco diferente dos carmeneres que fazem sucesso por aqui: estava mais para um merlot, elegante, de corpo tênue, sem os aromas herbáceos típicos da casta, sabor leve mas firme, aromas florais e algo selvagem, com sensações de alcaçuz, café e chocolate (veja também o Arboleda Pinot Noir aqui)


Finalizando com um dos ícones do Novo Mundo, o cultuado Seña 2007. O projeto é fruto de uma parceria criada em 1995 entre Eduardo Chadwick e Robert Mondavi, com o intuito de produzir o melhor tinto do Chile, e pelo visto, os resultados não estão tão longe disso: em degustações às cegas o Seña já “humilhou” monstros sagrados da viticultura mundial como Lafite, Margaux, Latour, Sassicaia, Solaia, entre outros. O vinhedo único de castas francesas sobe as encostas de uma colina no vale de Aconcagua e é conduzido de forma biodinâmica.

O de safra 2007 que provei tem a seguinte composição: 57% Cabernet Sauvignon, 20% Carmenere,12% Merlot, 6% Cabernet Franc, 5% Petit Verdot.
Achei o vinho ainda jovem (afinal estamos falando de um dos mais longevos tintos do Chile), com os aromas ainda tímidos, mas muito agradáveis de fruta de bosque e especiarias; no palato tem corpo médio e textura um tanto terrosa, com taninos acentuados, mas finos e doces. Grande complexidade gustativa, lembrando cereja, cassis, tabaco, tomilho, cravo. Boa acidez e madeira perfeitamente integrada completaram o quadro. Final bem longo. 
Enfim, lembrou em todos os aspectos um grande vinho de Bordeaux. Sinceramente, não sei se é realmente melhor que os tops acima citados, mas que é um baita vinho isso não há dúvida alguma.

Os vinhos são importados no Brasil pela Expand. Os Arboledas custam aqui R$120,00 cada (contra os U$19,00 em NY); já o Seña sai aqui por R$ 685,00 enquanto lá custa 95 dólares.

Mondovinho degustando o Seña

Algumas bagatelas disponíveis na loja como as imperiais de Latour, Lafite, Mouton, Petrus, Almaviva, por exemplo

3 comentários:

  1. Pergunta de curioso que ainda não provou este ícone. Sena ou Almaviva? ABS. Fábio

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    Respostas
    1. Fábio, difícil dizer...talvez eu fique levemente a favor do Sena simplesmente por tê-lo provado mais vezes e conhecido sua consistência em várias safras. Mas, francamente, a minha resposta mais sincera para sua pergunta seria: nenhum dos dois. Pois ambos não valem o que custam: nesta faixa de preço prefiro ficar com um bom italiano ou francês.
      Abraço!

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  2. Mario, fico sempre curioso quando se trata de vinhos chilenos e argentinos com fama. Gosto ao menos de entender o que os alçou. Há alguns que realmente fazem jus, como os Achaval-ferrer de mendoza. O preço independentemente da fama é realmente piada de mal gosto. Obrigado pela resposta. Att. Fábio

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