terça-feira, 27 de junho de 2017

A rainha da Campania

Hoje falamos de uma uva não muito conhecida por aqui, mas que mora no meu coração: a Falanghina.

A falanghina é apontada por muitos como a casta porta-bandeira da minha região da Campania. Sobre isto podemos concordar ou não, afinal tem tintos e brancos sensacionais de outras castas (clique aqui para mais detalhes ), mas certamente os brancos feitos a partir de Falanghina são os mais consumidos por lá, também devido ao forte acento da culinária local focada em frutos do mar. É a uva protagonista nos catálogos das vinícolas da região.

Enfim, porta-bandeira ou não, a casta é de grande prestigio. Apesar de sua história antiga e gloriosa, correu o risco de cair em declino (justamente por causa alta demanda se preferiu produzir quantidade no lugar de qualidade), mas felizmente nas últimas décadas importantes enólogos e produtores resgataram e revalorizaram a natureza desta “pequena joia” do sul da Itália.

Baste citar que em 2015 o prestigiado guia “Annuario dei Vini Italiani” elegeu um falanghina como o melhor vinho italiano em absoluto (o “Janare Senete” da vinícola La Guardiense), batendo a concorrência de tintos e branco badalados do País inteiro.

Hoje é produzida em outras regiões também, mas a falanghina é uma uva autóctone da Campania, onde os primeiros registros de sua existência podem ser encontrados nos tratados da agricultura de 1800, com referência a suposta origem grega.

Já quanto à origem do nome existem diversas teorias. A mais aceita afirma que a videira crescia apoiada em postes de madeira chamados “falangos” em grego num sistema de condução ainda utilizado em algumas áreas da região (veja foto abaixo). Já outra teoria acredita que a uva seja antepassada da Falerno Bianco, produzido com uva “falernina” e uma possível modificação do termo pode ter resultado em  falanghina.

Condução a "falangos"
As áreas de origem da casta são basicamente duas: Taburno e Campi Flegrei, com dois diferentes clones que diferem em forma e tamanho. Especialmente na segunda área os vinhedos são ainda plantados em pé franco, onde o solo vulcânico ainda em atividade impede a reprodução da filoxera e outros parasitas.

A falanghina é uma casta vigorosa e com produtividade constante, e bastante eclética, capaz de transmitir características diferentes dependendo do seu terroir (ou até micro-terroir).

Os vinhos obtidos mostram em sua juventude os aromas primários da casta independente da área de cultivo: banana, maça verde, abacaxi. Já os mais maduros ganham um caráter próprio conforme seu terroir: os do interior exaltam as notas floreais, mentoladas e balsâmicas; já os da costa desenvolvem aromas de fruta cítrica e de vegetais.

A legislação permite a utilização da falanghina em monovarietal ou em corte em diferentes denominações (DOC) como come Falerno bianco e Galluccio, Sant'Agata dei Goti, Sannio, Capri, Campi Flegrei, Vesuvio, Penisola Sorrentina, Costa D'Amalfi e Irpinia.

Aqui no Brasil infelizmente não temos muita variedade disponível no mercado (mas estou tentando trazer mais um bom produtor), entre os poucos rótulos disponíveis* indico:

- Mastroberardino Falanghina del Sannio DOC [Mistral]
- Terredora Falanghina IGT [Cantu]
- Villa Matilde Falanghina Rocca dei Leoni [Grand Cru]
- Marisa Cuomo Furore Costa d’Amalfi [Cellar]
- Villa Raiano Falnghina Beneventano [Decanter]
- Manimurci Puella Falanghina [Enoeventos]
- Feudi San Gregorio Lacryma Christi (corte de falnghina e coda de volpe) [World Wine]
- Ocone Falanghina Flora [Zona Sul]

*alguns destes rótulos já estão com importação descontinuada, mas ainda é possível encontrar algumas garrafas nas prateleiras.

Campi Flegrei

Campi Flegrei
Taburno
Monte Taburno no inverno

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