quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Visitando a Diamond Estates Winery, Canadá


Na minha recente viagem ao Canadá consegui também dar uma rápida passada na região vinícola de Niagara, no Ontário. A paisagem é linda, repleta de vinhedos que acabam no lago.

A região é responsável sozinha pelo 85% da produção mundial de Icewine (vinho de sobremesas cujas uvas “sofrem” congelamento natural durante o inverno, concentrando mosto e açucares), que é a verdadeira especialidade vinícola do País. O vinho do gelo seja talvez o estilo de vinho de sobremesa que mais aprecio, pois costuma ter sempre alta acidez e mineralidade para equilibrar a doçura. E ainda com um teor alcoólico baixo para vinho doce (média de 10-11%). Estes vinhos não costumam ser baratos (nem lá, por sinal), mas oferecem, a meu ver, melhor custo/beneficio se comparados com os mais badalados Sauternes e Tokaji, por exemplo.

Mas a península de Niagara, além destes sensacionais néctares, produz também brancos e tintos tranqüilos bem interessantes. As uvas que se dão melhor são Riesling e Gewürztraminer para brancos, já para tintos o destaque vai para Pinot Noir e Cabernet Franc.

Tive a oportunidade de visitar uma das mais respeitadas vinícolas locais, a Diamond Estates. A propriedade pertence ao ator canadense Dan Aykroyd (famoso sobretudo para  The Blues Brothers e GhostBusters – os caças fantasmas) e é a vinícola oficial da NHL, a Liga Nacional de Hockey, esporte nacional e verdadeira paixão dos canadenses.

O forte da vinícola são naturalmente os icewines, mas produz também tintos e brancos de todo respeito. Degustei 3 vinhos tranqüilos e 2 icewines:

- Hat Trick White 2011 VQA Ontário. Corte de Gewürztraminer, Riesling e Chardonnay muito interessante. Leve e fresco, tem discreta complexidade: pêra, lichia e abacaxi; no palato, apesar da alta acidez, é macio, lembrando maça e mel. É o vinho oficial dos jogos do campeonato de Hockey e os proventos de cada garrafa vendida vão para o NHL Alumni Association para dar suporte a várias causas beneficentes.




- Dan Aykroyd Discoveries Series Cabernet/Merlot 2011 VQA Niagara Peninsula: esta seja talvez a linha de vinhos tintos canadenses que mais vende no mundo, sobretudo pela relação qualidade/preço (vi inclusive este vinho em muitas lojas dos Estados Unidos), tendo já ganho vários concursos como melhor corte bordales abaixo de 25 dólares. O vinho é realmente gostoso, com nariz de fruta silvestre e notas defumadas; no palato é redondo, de corpo médio, com boa fruta e especiarias. Estagia 8 meses em carvalho.



- East Dell Black Label Shiraz 2011 VQA Niagara Península: este vinho procede de uma propriedade vizinha pertencente ao mesmo grupo. Como sabemos que a uva syrah (ou shiraz) se dá particularmente bem em clima quente ou temperado, pessoalmente não estava esperando muita expressão deste tinto. Mas fui positivamente surpreendido. Ele tem menos corpo do que os shiraz do novo mundo que conhecemos, mas não por isto menos complexidade. Amoras, alcaçuz, tabaco e especiarias tanto na boca quanto no nariz. A textura é um pouco rústica, assim como os taninos o que lhe dá um toque de vinho tradicional europeu.



- Lakeview Riesling Icewine 2012 VQA Niagara Peninsula: o clássico icewine com base em riesling: limão e laranja, pêssego, mel, baunilha, damasco, com notas ferrosas. Muito equilibrado e fresco, além de sobremesa harmoniza também com muitos queijos.


- Lakeview Cabernet Franc Icewine 2013 VQA Niagara Península: nunca tinha provado um icewine tinto e este foi uma prova de um ainda não engarrafado. Embora mantendo aquelas notas de mel e baunilha, o bouquet vai mais para morango e cereja, sobretudo tipo amarena. Talvez porque ainda não definitivamente estabilizado, achei um pouco doce demais para meu gosto, de qualquer forma gostoso. Diria perfeito com chocolate.



Enfim, esta experiência, junto com outros bons vinhos locais que provei ao longo da viagem, mostra mais uma vez que não podemos ter preconceitos (nem para o bem nem para o mal) quando o assunto é vinho e o quanto é legal conhecer coisas novas. Os vinhos canadenses são uma realidade interessante, com personalidade própria. Lembraram-me em algum momento aqueles vinhos brasileiros feitos com carinho, com pouco álcool e taninos verdadeiros, sem necessariamente querer copiar os vinhos da moda dos Países vizinhos, mas mantendo um ligado com a tradição européia.

Jardim

Pátio

Passeando nos vinhedos
 

Cabernet Franc
Este vinho na taça vem deste vinhedo de cabernet franc





 









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