quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dois vinhos do badalado E.Guigal

O Vale do Rhône  é uma das mais famosas e badaladas áreas vinícolas do mundo, mas vale lembrar que até uns 30 anos atrás esta região francesa era praticamente desconhecida aos demais e quase totalmente ignorada pela industria do vinho. A fama comercial da região é devida ao Robert Parker (afinal temos que reconhecer também alguns méritos dele), que “descobriu” os vinhedos de Hermitage e Côte Rôtie, lançando seus vinhos no Olímpio dos grandes do mundo e fazendo que seus preços até então bem em conta se tornassem estratosféricos (demérito que cancelou o mérito...ehehe). De fato os vinhos incorporam totalmente os gostos do crítico americano: ricos em fruta, robustos e concentrados, mas mantendo certa elegância. 

A máxima denominação da região é a Côte Rôtie, onde a casta Syrah alcança seu ápice. Muitas vezes cortada com a Viogner, produz tintos ao mesmo tempo potentes e elegantes, e de longa guarda.

O maior produtor é o Guigal, literalmemte louvado e adorado pelo Parker: é o viticultor que pode se gabar do maior numero de vinhos nota 100 pelo nosso Advogado do Vinho e, consequentemente, se tornou o mais cultuado da região. 
A vinícola E. Guigal foi fundada em 1946 e foi a primeira do norte do Rhône a introduzir uma viticultura mais moderna, trabalhando com tanques de aço a temperatura controlada, longa estadia em barricas de carvalho e com o conceito de vinhedo único.

Recentemente provei dois rótulos deste produtor para conferir, e, na verdade fiquei meio dividido. Vamos ver no detalhe:




Crozes-Hermitage 2007: é um Syrah 100% procedente de vinhedos de 35 anos de idade e maturado por 18 meses em carvalho. Intenso nos aromas de fruta negra em compota, concentrado na cor e no corpo. A doçura ganha da acidez e a madeira se mostrou definitivamente em excesso pra mim. Pode se tomar sozinho sem acompanhamento de comida. Pareceu mais californiano que francês. Certamente é um vinho cativante, pois é muito fácil de beber, mas não faz  muito o meu estilo.
- Preço médio: R$ 150,00










Côte-Rôtie 'Brune e Blonde de Guigal' 2007: este já é toda uma outra história. Basicamente também é um Syrah varietal, mas com uma pequena parcela (entorno de 5%) de Viognier. Os vinhedos são mais o menos da mesma idade do anterior, e a maturação em carvalho é feita por 36 meses. Mesmo assim a madeira era bem menos perceptível, sendo perfeitamente integrada ao conjunto.
Menos extraído do que o anterior na cor e na densidade. Aromas de cereja, morango, ervas, temperos doces, azeitonas pretas e um toque mentolado, com uma leve baunilha. Na boca tem textura aveludada e corpo médio, boa acidez e taninos vivos, mas redondos. Final longo. Muito equilibrado. Neste caso sim, bem francês e elegante.
- Preço médio: R$ 400,00.



Enfim, é claro que se trata de denominações e safras diferentes, mas de qualquer maneira, a impressão geral é que para os vinhos mais “simples” a vinícola preza um gosto digamos “globalizado” e novomundista, já para os tops de linha o estilo muda radicalmente, mostrando finesse e categoria do velho mundo.


Os vinhos de E. Guigal são importados no Brasil pela Interfood

2 comentários:

  1. Caro Mario,
    Concordo em gênero, número e grau! Já bebi os dois e tive a mesmíssima impressão. Inclusive, o Crozes-Hermitage foi meio "hostilizado" pela turma da confraria...rs. Agora, o Côte-Rôtie, fez sucesso.
    Abraços,
    Flavio

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    Respostas
    1. Grande Flavio,
      Fico feliz de, mais uma vez, ter seu aval.
      Forte abraço!

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