quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Como entrar numa loja de vinhos sem parecer totalmente despreparado

Os mais atentos devem ter notado que estamos em dezembro J e que o Natal se aproxima inexoravelmente. Para muitos, esta a época do ano para entrar numa loja de vinho, para comprar um presente ou para se presentear com um rótulo sério. Talvez alguém faça isto pela primeira vez, querendo finalmente sair do túnel dos vinhos de supermercado e/ou procedência obscura.

Se você pertence a esta categoria não se preocupe: ninguém é obrigado a conhecer sobre vinho, sobretudo se não for um consumidor assíduo. Mas se quiser evitar pagar mico aqui segue uma pequena lista de erros comuns que podem irritam o vendedor. Naturalmente me estou referindo a vendedores profissionais preparados e competentes (são poucos, mas existem!).

1) Pedir um “Champagne francês” não vai deixar você exatamente com uma aparência de competente. Champagne é só e exclusivamente francês: o nome vem de uma região da França. Portanto não existe champagne italiano, espanhol, ou de outra nacionalidade. Já se quiser se referir ao tipo de vinificação, pode então pedir um espumante champenoise, ou método clássico (técnico demais, né?)

2) Ficando no assunto: se fala “o” Champagne, “um” Champagne. Vinho é masculino, então por que você continua obstinadamente dizendo “a” e “uma” Champagne?

3) Não comece com: “O ano passado você me vendeu...”! Primeiro porque inevitavelmente vai ser classificado como cliente que compra vinho uma vez por ano, e segundo, você acha mesmo que o cara se lembre da sua compra do ano passado?

4) “Pera , que pergunto”. Este cliente escuta a dica do vendedor e no final pega o celular e liga para um amigo “entendido” para confirmar. Isto pode realmente deixar o vendedor bem chateado. Ademais fica bem feio pra você, pois mostra que além de não confiar na pessoa na sua frente, você não confia nem em você mesmo. A subcategoria: “Pera ai, que pergunto para minha esposa” já é digna de maior pena simpatia...

5) “Não me faça gastar muito”. Esta técnica não faz sentido. Você é o cliente (portanto tem sempre razão) e já sabe quanto quer gastar. Então por que não anunciar logo a quantia em orçamento? Exemplo de uma correta abordagem: “Tenho que comprar um presente, mas não gostaria de gastar mais de 150 reais” (por exemplo). De qualquer forma tenha em mente que, embora existam rótulos de boa relação preço/qualidade (veja aqui a coluna Bolso Esperto), dificilmente um vinho abaixo de R$ 50 vai ficar na memória do destinatário do presente, sobretudo se ele for um enófilo de carteirinha. No caso, aposte em outro presente (tipo, seilá, um chaveiro).

6) “Estou procurando um vinho muito bom, não lembro o nome, mas posso dizer que tem um rotulo branco...é Chileno...ou Argentino, talvez”. Parece piada, mas eu assisti a cena pessoalmente. Despensa comentários, né?

7) “Não gosto de Merlot” (ou de Malbec, Sauvignon Blanc, Carmenere, ou qualquer outra uva). Ai você está praticamente entregando seu desconhecimento. Se o vendedor for mau ele vai te perguntar “qual é o último Merlot que o senhor provou?” (portanto ensaie uma resposta antes, pois ficar mudo vai automaticamente condenar a sua irresponsável declaração anterior. Já se o vendedor for muito mau, ele dirá: “imagino que o senhor já provou todos os Merlot produzidos no mundo”. Tanto a primeira quanto a segunda objeção do vendedor significam que o Merlot dele é capaz de te fazer mudar de idéia. Vire o jogo driblando: “interessantes as suas dicas, ficaria horas escutando, o que mais tem para me propor?” Pronto, agora é você quem ganhou.

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