sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O verão e o "problema" da temperatura do vinho

O ano novo chegou e com ele o verão (nestas latitudes). Com o aumentar do calor os eno-chatos ficam ainda mais chatos com as temperaturas das garrafas, se perdendo em minúcias que tornam o prazer de beber mais parecido com uma burocracia de cartório. Usar o termômetro para medir na fração do grau, discutir sobre os 10 graus dos espumantes, 12 para os brancos jovens, 14 para os brancos de meia-idade, 15 para os brancos aposentados, ou esperar baixar a temperatura da garrafa de mais 0,6 graus antes de abrir: todas práticas para eno-maníacos.

A realidade é muito menos complicada. Aqui já publicamos uma tabela com as temperaturas de serviço sugeridas para cada tipologia, mas são justamente sugestões e obviamente nada para tirar ao pé da letra. Se você gosta do seu vinho mais gelado ou mais quente não há problema algum. Claro, tampouco sem extrapolar. 

A verdade é que basta ter um pouco de sensibilidade e elasticidade mais umas 2-3 noções de base. As seguintes:

1) Para os vinhos brancos vale mais o gosto pessoal que as clássicas tabelas de temperatura de serviço. Se você gosta de um Pinot Grigio gelado, beba-o gelado. Apenas tenha presente que quanto mais o branco for jovem e simples mais tolera as baixas temperaturas. Do lado oposto, um branco complexo e maduro se expressa melhor em temperaturas menos rígidas.  

2) Para os vinhos tintos, especialmente no verão, você pode tranquilamente optar para uma temperatura mais fria, sem medo de parecer ignorante com o sommelier que está te olhando com ar de desaprovação. A única coisa que pode atrapalhar é o conteúdo de taninos, os responsáveis por aquela sensação de adstringência que seca a boca. A regrinha de base: a temperatura baixa acentua a adstringência dos taninos, já a alta acentua o álcool. E também vale a regra da complexidade/maturidade. Portanto se o tinto não for muito tânico ele pode ser servido mais frio sem problemas. Já com um tinto maduro e complexo a temperatura poderá ser mais elevada.

3) Finalizando, com uma generalização um pouco grosseira mas eficaz: todos os vinhos de sobremesa têm que ser servidos frescos e não frios demais. Apenas os mais leves e frutados, como alguns Moscatéis, por exemplo, se dão bem em baixas temperaturas.

Já se você ainda não leio a matéria sobre como esfriar rapidamente a sua garrafa de vinho, clique aqui e seus problemas estarão resolvidos! 




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