quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Degustação de Moscatéis de Setúbal!



Na semana passada fui convidado a participar de uma degustação promovida pela Comissão Vitivinicola Regional da Península de Setúbal. O evento aconteceu no belo restaurante Salitre, em Ipanema e contou com a presença de Andreia Lucas, responsável da promoção dos vinhos da região, vindo diretamente de Portugal. 

A Andréia fez questão de ressaltar que não é expert em vinho, pois trabalha no departamento de marketing, mas pelo contrário mostrou muito preparo e competência no assunto, comandando a degustação com leveza, propriedade e simpatia.

A degustação foi focada em Moscatel, verdadeiro símbolo da região. A delimitação geográfica da D.O.C. engloba os concelhos de Setúbal, Palmela e parte do de Sesimbra. Obviamente estamos falando de vinhos “generosos”, termo usado para os vinhos fortificados (ou seja, com a fermentação interrompida através de adição de aguardente vínica). As harmonizações propostas foram as 2 clássicas: com queijos e com doces.

Vamos aos 5 vinhos provados:



- MALO TOJO Moscatel de Setúbal 2009. A vinícola tem mais de 100 anos de tradição e este mesmo rótulo ganhou medalha de ouro no concurso “Muscats du Monde”, realizado na França (Frontignan-la-Peyrade). No nariz mel e geléia de damasco com leves notas cítricas; na boca é amplo e doce, embora o açúcar residual não chegue a incomodar.

- SIVIPA Moscatel de Setúbal Superior 10 Anos. A Sociedade Vinícola de Palmela é especializada em vinhos licorosos, mas é muito premiada também por seus brancos e tintos de mesa. A Andréia nos explicou que para o rótulo levar a apelação “10 Anos”, a parcela de vinho mais novo tem que ter no mínimo esta idade, podendo ser mesclado com outras mais antigas também. Este caiu mais no meu gosto: com aromas florais, de laranja, pêssego e amêndoas, mostrou mais complexidade também na boca, mas a maior acidez o deixou mais equilibrado.

- BACALHÔA  Moscatel de Setúbal Roxo 2001. A variedade de uva Moscatel Roxo é muito rara, sendo cultivada em cerca de 35 hectares no mundo inteiro, estando todos praticamente na peninsula de Setúbal. A casa seja a talvez a mais famosa da região e uma das vinícolas portuguesas mais conhecidas no Brasil. Este moscatel recebeu 40 prêmios em 4 anos e realmente é um fora de série. Depois de uma breve fermentação e longa maceração o vinho envelhece por 8 anos em barricas de carvalhos usadas para whisky, numa estufa com grandes amplitudes térmicas. O resultado é um vinho realmente “generoso” nos aromas e no paladar. A cor, também diferente remete a um destilado tipo brandy ou cognac. No nariz o aroma primário, por incrível que pareça é de uva (!), depois evoluindo para uva passa, ameixa, nozes, mel. Na boca é volumoso e a alta acidez proporciona um bom frescor em contraposição ao final adocicado.

- CVRPS Moscatel de Setúbal 100 Anos Lote Comemorativo. A indicação no rótulo não se refere a idade deste vinho e sim a data de nascimento da Denominação de Origem Moscatel de Setúbal, uma das mais antigas de Portugal, criada em 1908. Portanto em 2008, para comemorar um século de existência, a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal quis lançar uma edição especial. O lote comemorativo é o resultado da união de lotes de qualidade superior das oito adegas produtoras deste vinho: Adega Cooperativa de Palmela, Bacalhôa – Vinhos de Portugal, Enoport – Dom Teodósio, Ermelinda Freitas, Horácio Simões, José Maria da Fonseca, SIVIPA e Venâncio da Costa Lima. Por ser um blend de diversos anos e procedências, não é safrado e a edição é limitada a 9.000 garrafas. A idéia não é de fazer um grande vinho (seria até bem difícil com este pressuposto), mas sim de criar um vinho gostoso que apresentasse um resumo de diferentes estilos em uma única garrafa colacionável. O resultado foi atingido: o vinho é fácil de beber, entregando um pouco de todos os aromas e sabores acima descritos, todos na medida certa.

- JOSÉ MARIA da FONSECA Alambre 20 Anos. O produtor, com mais de 200 anos de história, é um bestseller aqui no Brasil (lhe diz algo o nome Periquita?). Este moscatel é um blend de 19 safras, sendo a mais nova de 20 anos e a mais antiga de 80 anos. Ficou em contato com as cascas por 5 meses e envelheceu em barris de carvalho usado. O vinho é um espetáculo de complexidade e estrutura e, além dos clássicos aromas, mostrou algo mais como baunilha, caramelo, café, fruta cristalizada e até umas notas verdes, vegetais. No palato é macio e aveludado e prima pelo grande equilíbrio.  

Quanto a harmonização, de uma maneira geral diria que os 5 moscateis se deram melhor com os queijos (especialmente com o sensacional Queijo de Azeitão, trazido na mala pela própria Andreia) que com a sobremesa. Vale porém ressaltar que o dessert servido era uma torta de chocolate com um creme inglês particularmente doce, que ficou brigando com a doçura dos vinhos. Uma boa alternativa seriam sobremesas sem muita concentração dos açucares, como torta de limão ou laranja ou também um tiramisu, onde os elementos ácidos e amargos cortariam a doçura geral.

 Confira algumas fotos gentilmente concedidas pelo Renato Hazan

As 2 maiores responsáveis pelo evento: Andreia Lucas do CVRPS e
Andréa Fantoni da 
Interação Rede de Comunicação

Lolô Riccobene, co-organizadora e co-promotora do evento e MondoVinho (eu)

A Andreia nos fornecendo preciosas informações 

Os convidados posando para foto-recordação

Mais uma pose para a imprensa


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