quarta-feira, 10 de junho de 2015

Visita ao Château Léoville Las Cases, o vinho de n. vezes 100 pontos

Começamos hoje a série de “reportagens” sobre as vinícolas que tive o privilegio de visitar diretamente em Bordeaux, a Meca mundial do vinho.

Cheguei à cidade por volta das 21:30h e 10 horas depois já estava dirigindo em direção a Médoc, precisamente com o gps indicando o melhor caminho para Saint-Julien. Querendo começar com o pé direito, a primeira visita tinha que ser “de peso”, e de fato não poderia ter sido melhor, pois estava indo para o Château Léoville Las Cases.

O leão é símbolo da casa
Um dos chateaux mais antigos de Médoc, pertenceu desde o século 17 a uma das familhas mais nobres e influentes da França inteira. Consequentemente à revolução francesa a propriedade foi dividia em 3 partes, os conhecidos chateaux Leovilles, sendo o Las Cases o maior deles. Hoje o château pertence ao Jean-Hubert Delon, proprietário único inclusive também do Château Potensac no alto Médoc e do Château Nénin em Pomerol.

O Château Leoville Las Cases é um Grand Cru Classé, precisamente avaliado como segundo cru pela celebre classificação de 1855. Desde sempre com qualidade constante, vem ganhando pontualmente notas estratosféricas pela imprensa internacional; para se ter uma idéia baste lembrar que somente na última década ganhou 4 vezes 100 pontos pela Wine Spectator.

Chegando a vinícola, a primeira coisa que chamou a atenção é a proximidade ao rio Gironde (coisa que garante micro-clima único e sanidade das uvas) e a sobriedade do château: consegue passar a nobreza do brasão, mas mantendo certa informalidade em comparação com as vinícolas vizinhas. E neste clima informal fui muito bem recebido pelo Maître de Chai (literalmente “mestre da adega”, ou seja diretor da cave) Monsieur Bruno Rolland que me conduziu ao longo do processo de vinificação da casa. Conseguimos nos comunicar em bom franglês (mistura de francês com inglês) e a visita foi muito interessante.





Para não deixar o post entediante, sobre os aspectos técnicos vou postar apenas umas fotos, mas quem tiver interesse em mais detalhes pode me contatar que irei fornecer mais informações com prazer. 
Tanques de fermentação em cimento 
Tanques de fermentação em inox 
 
Tanques de fermentação em carvalho

Uma maquina italiana #orgulhonacional

Engarrafamento: mais uma maquina italiana #proud

No final da visita o Sr. Rolland me levou até uma cozinha/laboratório onde nos esperavam 7 belezuras engarrafadas, uma amostra do melhor da produção dos Domaines Delon da safra 2012. Devo ressaltar que as garrafas foram abertas na minha frente, portanto não tiveram areação necessária, especialmente para vinhos deste tipo. Começamos a prova.



Fugue de Nénin 2012
Segundo vinho do Chateau Nénin, em Pomerol. Basicamente um merlot, como de costume nesta sub-região, com 18% de cabernet franc. Frutado e macio, embora tenha bom potencial de guarda, pode ser desfrutado já mais jovem.



Chateau Nénin 2012
Vinho ícone da propriedade em Pomerol, foi um dos meus preferidos da seqüência, combinando potencia e elegância, complexidade e pureza, fineza e frescor. Merlot 70%, Cabernet Franc 30%. Fantástico.



Chapelle de Potensac 2012
Segundo vinho do Chateau Potensac, Cru Bourgeois do norte de Médoc. Merlot 56% e o restante dividido entre cabernet sauvignon e franc mais uma pitada de petit verdot. De acordo com o Sr. Rolland este seria um vinho descomplicado, para piquenique. Já deste lado do mundo, em nossa visão tupiniquim este seria um vinho de bom nível, com boa fruta e bons taninos, para acompanhar uma boa refeição.


Chateau Potensac 2012
O único “Cru Bourgeois Exceptionel” dentro de sua denominação, representa o puro estilo de Medoc. Clássico corte bordales, mas com leve predominância de merlot. Talvez ainda um pouco austero, mas com equilíbrio perfeito.


Indo para o grand finale, os 3 vinhos do célebrado Château Léoville Las Cases

Petit Lion du Marquis de Las Cases 2012
Como o chateau tinha dois primeiros vinhos, considerados de igual importância, em 2007 foi lançado este rótulo como segundo vinho da casa; embora tenha predominância de cabernet sauvignon (48%), tem uma significativa proporção de merlot (44%) para que o vinho seja mais macio e desfrutável desde jovem (o restante 8% é de cabernet franc). Uma delicia.


Clos do Marquis 2012
Criado em 1902, mesmo não tendo uma classificação de cru, este rótulo é considerado um primeiro vinho da casa, igualmente ao Grand Vin, embora com características bem distintas. Procedente de um pequeno vinhedo murado adjacente à propriedade. Praticamente um varietal de cabernet sauvignon com 92% da casta e o restante dividido entre merlot e cab franc. É um tinto mais robusto, se comparado com os outros, de grande estrutura e complexidade e longo potencial de guarda.


Grand Vin de Leoville du Marques de Las Cases 2012
Este é o campeonissimo. Interessante notar que embora seja um grand cru classé (e deuxieme, ainda por cima!) a política low-profile da empresa não faça questão de ostentar o status no rótulo, diferente de todos os concorrentes cru classes. Quem conhece, conhece. Cabernet Sauvignon 74% (o restante é merlot e cab franc). O vinho é um show de elegância e equilíbrio. Obviamente vai dar o melhor de si só na próxima década, mas já está sensacional. A harmonia entre fruta, acidez e taninos é de outro planeta. A textura é pura seda e o liquido, embora encorpado, passa na boca com extrema sutileza, deixando um final de longa persistência.


Enfim, foi uma experiencia super-enriquecedora. Agradeço enormemente o Sr. Rolland pela simpatia e disponibilidade e a Sra. Isabelle Mas por ter viabilizado a visita.

M. Rolland et moi



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