sexta-feira, 14 de abril de 2017

Cuidado, estão chegando os vinhos ingleses!

O clima do nosso planeta está mudando, e, como previsto, vinhos produzidos em regiões supostamente impensáveis estão começando a dar certo. É o caso da Inglaterra, onde até a década passada a idéia de produção vitivinícola era considerada absurda, mas que hoje está já mostrando seus bons resultados.

Famílias de pioneiros como Mosses, Nyetimber e Bolney, que na década de 80 acreditaram e apostaram naquela ideia absurda, plantando videiras no sul da país (particularmente nas regiões de Kent e Sussex), hoje estão colhendo os frutos (literalmente) daquela escolha corajosa.   

Os tintos ingleses ainda engatinham, mas parece que os espumantes já estão estourando (não apenas literalmente), representando hoje 2/3 da inteira produção de vinhos do País.

A aposta está dando tão certo que umas grandes maisons de Champagne come Louis Roederer, Taittinger e Pommery começaram a investir forte na região, enxergando grande potencial nesta nova área de produção.


As uvas utilizadas para os sparkling ingleses são as mesmas de Champagne (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier). Afinal existe um documento datado de 1662 em que o cientista inglês Christopher Merret apresenta para a Royal Society de Londres um processo para obter vinho espumante com o tal do método clássico, isso 20 anos antes que a mesma técnica fosse descrita na França pelo monge beneditino Dom Perignon.

Enfim, despontou mais um concorrente para o já disputadíssimo mercado de borbulhas mundial; vamos ver se os ingleses vieram para ficar. O primeiro desafio será de passar o teste do exigente mercado interno, maior consumidor de Champagne do mundo. 

Antecipo que nunca provei nenhum vinho dos produtores abaixo citados, mas conforme minhas pesquisas, seguem os nomes para ficar de olho (em ordem alfabética):

- Bolney 
- Chapel Down
- Gusbourne 
- Hattingley Valley
- Langham
- Lynchgate 
- Nyetimber 
- Ridgeview 
- Wiston Estate

Já se quiser conferir algum rótulo especifico talvez este artigo da prestigiada revista Decanter possa ajudar (com pontuações chegando até 96 pontos!).

Pronto, se você estiver indo para Inglaterra agora já sabe com qual vinho se divertir e qual garrafa colocar na mala. Mas não se esqueça de colocar uma a mais pra mim, afinal seria o mínimo para agradecer as dicas não é? ;-)





2 comentários:

  1. Mario,
    eu estive na Inglaterra no ano passado, e procurei conhecer alguns vinhos.
    A primeira coisa que pude perceber é que não é fácil achá-los. Normalmente vai achá-los em casas especializadas, ou indo direto ao produtor.
    Segundo, do que eu provei, os vinhos, tintos, brancos e rosés foram de ruins a bebíveis. E caros, a partir de 8 libras a garrafa. Mesmo o espumante que provei (feito de Seyval Blanc) era fraco.
    Eu ainda trouxe um Gusbourne Brut Reserve, que ainda não abri. Promete ser bom, mas veja o preço: 32 libras, mais caro que muito Champagne (no próprio mercado inglês).
    Acho que o clima lá ainda precisa esquentar bastante para eles conseguirem competitividade no preço.
    Tomo a liberdade de deixar um link para os textos que escrevi no meu blog a respeito de alguns vinhos que provei:
    http://www.sobrevinhoseafins.com.br/search/label/Reino%20Unido
    Um abraço!

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    Respostas
    1. Rodrigo, muito bem colocado. De fato os preços dos vinhos citados pela Decanter (link acima) são a partir de 25 libras, para este preço se compra um bom Champagne, acredito. Não adianta muito eles se orgulharem de um "grande" espumante que custa 70 libras em lojas, não é?
      Muito interessantes as suas matérias sobre o tema, obrigado pela sua valiosa contribuição.
      Abraço!

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