segunda-feira, 6 de março de 2017

Bolso esperto: o melhor custo/beneficio da história da Espanha?


Custo/beneficio: a mágica combinação de palavras que faz brilhar os olhos dos consumidores. Terminologia usada e abusada, sendo que na verdade seria mais correto falar de relação preço/qualidade, praticamente aquilo que aqui no blog é conhecido como “Bolso Esperto”.

Aí todo mundo querendo entrar na aba mitológica do tal custo/beneficio. Cansei em avaliar vinhos que queriam me vender em nome do bom custo/beneficio, mas que na verdade só tinham bom custo; já o beneficio estava longe. O clássico vinho de 30 prata, mas que vale exatamente o que custa, ou até menos.

Já um rótulo de boa relação preço/qualidade (ou bolso esperto) não necessariamente tem que ser barato. Trata-se apenas de um vinho que entrega mais do que custa. Dando um exemplo prático: você prova um vinho sensacional sem saber o preço e decide que pagaria, digamos, 700 reais para ele e depois descobre que a garrafa em questão custa R$500: então, este vinho também oferece um bom custo/beneficio.

Dai, feita a devida introdução, chegamos ao vinho bolso esperto de hoje, que mediamente custa a “bagatela” de R$150: o Finca Villacreces, Pruno.   

A vinícola Finca Villacreces, situada na D.O. Ribera del Duero, foi fundada em 1994 e adquirida em 2004 pelo grupo Artevino (ao qual pertencem também as premiadas Izadi, Vetus e Orben). O Pruno procede de vinhedos de cerca de 40 anos de idade situados a 710m sob o nível do mar. Um Tempranillo (ou Tinto Fino, como é chamado por lá) quase varietal, complementado com 10% de Cabernet Sauvignon.  Maturação de 12 meses em barricas de carvalho francês.

Este vinho foi avaliado como o melhor vinho espanhol da história em relação a preço/qualidade na faixa de até 20 dólares. O nosso amigo Beto Parker lhe deu 94 pontos, chamando-o de "baby Vega-Sicilia", e outros exímios colegas sempre o pontuam com notas acima de 92.

Recentemente provei uma garrafa de safra 2014 e não é que é bom mesmo? Tem um nariz intenso de cereja e alcaçuz com notas tostadas de café e caramelo. Bom ataque de boca, corpo médio, ótima acidez e taninos gostosos para um belo final que devolve as sensações aromáticas citadas.

Não sei dizer se é o melhor custo/benefício da história da viticultura espanhola, nem vou entrar no mérito dos 92 ou 94 pontos, mas o considero uma boa compra pelo seu preço* (paguei R$129 numa promoção), considerando o nosso doente mercado.

O vinho é importado pela Adega Alentejana.

*Na Espanha custa cerca de 10 euros. Mas esta é outra história, infelizmente. 







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